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Parece que o governo entrou decididamente na rota da redução dos juros e iniciou um processo de cooptação dos bancos comerciais, forçando-os, por meio dos bancos públicos (Banco do Brasil e Caixa Econômica Federal), a diminuir os custos dos empréstimos ao setor privado. Nem todos acreditam na eficácia desta medida. Vale a pena ler a opinião de Roberto Macedo.

A ideia é que os bancos cobrem menos pelo trabalho de aplicar os recursos que os consumidores pouparam, a chamada taxa de administração, diminuindo o spread bancário (isto é, a diferença entre o custo de captar recursos e a taxa de juros que o banco cobra do seu cliente). Muitos são os fatores envolvidos nesse processo, tanto no plano micro quanto no macroeconômico. A seguir, um resumo da indução dos cortes de juros por parte dos bancos públicos.

Gostaria de abordar hoje os efeitos dessa tendência sobre os consumidores. Pergunta-se, portanto: como fica para os consumidores que acabaram de pedir crédito antes do corte dos juros? É possível entrar na nova taxa? Como ele deve proceder?

Na última semana, o Prof. Joelson Sampaio nos provocou com uma reflexão acerca do ato de poupar. Ele argumenta que seu texto é óbvio, esquecendo-se, talvez, que o óbvio é sempre controverso.

Muitas pessoas acreditam, de fato, que poupar é um luxo reservado àqueles que muito ganham. Porém, como aprendemos com o seu texto, o ato de poupar pode ser mais complexo do que sugere uma análise mais superficial.

São muitas as tentações de consumo e uma pessoa pouco cautelosa pode se envolver numa rede de endividamento que assume vida própria, crescendo a despeito dos mais esmerados esforços de poupança por parte do consumidor.

Como a queda na taxa de juros pode levar a mais endividamento, vejamos alguns pontos a observar.

Em geral, os bancos estão reduzindo as taxas automaticamente. Neste link, o Banco Central nos oferece as taxas cobradas pelos bancos nas mais diversas modalidades de crédito. Deve-se prestar atenção ao que era cobrado antes das medidas do governo e, de preferência, antecipar-se à decisão do banco, iniciando uma negociação que reduza as taxas cobradas (mais informações aqui).

No entanto, os consumidores devem estar atentos às condições impostas para que se efetue a redução das taxas dos juros cobradas pelos bancos. Redução de juros não significa, necessariamente, que os serviços bancários serão mais baratos (veja alguns exemplos aqui). Há várias formas pelas quais os bancos podem compensar uma queda da taxa de juros cobrada pelos empréstimos dos seus clientes, como, por exemplo, a adesão a contas especiais com maiores tarifas mensais por pacote de serviços.

Em segundo lugar, os consumidores devem fazer uma espécie de arbitragem. Caso estejam endividados segundo um contrato anteriormente definido com taxas de juros elevadas (cartão de crédito, por exemplo), podem pegar emprestado a uma taxa inferior (cheque especial) para quitar esta dívida.

Além disso, com a queda dos juros liderada pelos bancos públicos, o consumidor será disputado pelos bancos privados, o que lhe garantirá maior poder de barganha, caso esteja atento aos detalhes tão pequenos que costumam povoar os contratos entre os bancos e seus clientes.

Neste caso, é válido contrair uma dívida em um banco que cobra tarifas e taxas de juros mais em conta para quitar dívidas com outro banco que ainda incorrem em juros mais elevados. Novamente, atenção deve ser redobrada e devem ser tiradas todas as dúvidas junto ao gerente do banco.

Por fim, o consumidor não deve se esquecer que taxa de juros mais baixa não significa que deva pisar no acelerador das compras. Para ilustrar, utilizo a regra dos 70.

Esta regra diz que 70 dividido pela taxa de juros cobrada mostra quanto tempo leva para o valor dobrar. Por exemplo, se você contrata um empréstimo a 5% ao mês em 14 meses, a dívida será o dobro do que era quando foi contratada (70/5=14).

Portanto, o poder dos juros compostos deve estar sempre no radar do consumidor para que uma queda das taxas de juros não o condene a dívidas maiores por conta de sua própria invigilância financeira ao gastar. Dívida é boa apenas quando planejada sobre um fluxo de renda futura minimamente garantida.

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