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Por mais que seja fascinante o funcionamento dos mercados e sua “aparente” lógica interna (esta sempre sujeita a todo e qualquer tipo de racionalização), há uma dimensão social das crises econômicas que sempre acaba ficando de lado, nas diuturnas análises disponíveis na imprensa.

O gráfico abaixo mostra o triste quadro do emprego dentre os 17 países que compõem na zona do Euro. A taxa de desemprego já atinge os 10% da população economicamente ativa.

Taxa de desemprego na Zona do Euro

quick view chart

Fonte: Banco Central Europeu (http://sdw.ecb.europa.eu/quickview.do?SERIES_KEY=STS.M.I6.S.UNEH.RTT000.4.000&)

Quando se abrem os dados por faixa etária, a situação fica ainda mais preocupante. Mais de 20% dos jovens entre 19 e 24 anos se encontram sem emprego. Isso significa uma redução no ânimo do consumidor perante o futuro.

Há, contudo, uma outra dimensão do desemprego: a construção da identidade pessoal e de sua colocação perante o meio social. Os grandes economistas políticos do século XIX já alertavam para a importância do trabalho como definidor de nossa individualidade.

Tirar da juventude a capacidade de empreender esforço em prol de seus interesses e da sociedade em que vive implica desacelerar seu amadurecimento, postergando a sua compreensão da dinâmica real da vida e do meio social do qual faz parte.

Não surpreende, portanto, o aparecimento vigoroso do conteúdo juvenil na Primavera Árabe, nas rebeliões na Inglaterra, na Grécia, na França, bem como o movimento “Ocupe Wall Street” dos “jovens da praça” em Nova Iorque.

A geração Y pode ter finalmente um inimigo contra o qual lutar. Sua rebeldia tem causa, mesmo que ainda, aos seus olhos, não estejam claros quem são os causadores de seus sofrimentos.

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