Tags

, , , , ,

Final de semestre é momento de reflexão. Professores e estudantes fazem um inventário das decisões e das escolhas feitas ao longo do período letivo. Especialmente para os meus alunos, é momento de crise, de culpa, de resignação, mas também de alegria, de aprendizado, de realização. É exatamente na atribuição de cargas positiva e negativa a cada evento que reside a maturidade. Em geral, a conclusão é uma: descobrimos que poderíamos ter assumido mais conscientemente os nossos destinos, utilizado melhor ajudas ao longo do caminho, ter esperado menos por Providências Miraculosas e ter feito um pouco mais. Afinal, “eu quase consegui”, “só faltou meio ponto”, “fiz bobagem na hora da prova”, “mas eu sei a matéria”, dentre outras máximas que pululam na cabeça inapetente de aceitação do que se passou.

Dentre as causas disso, sugiro uma metáfora: a escada rolante. Há três formas básicas de utilizá-la.

A primeira faz da vida dos apressados um inferno, pois quem a utiliza de maneira passiva, estaciona no degrau, dificultando a passagem dos mais impacientes, e deixa a máquina operar a mágica do transporte morro acima. E quando a escada quebra… “que droga, esse pessoal da manutenção não trabalha direito! Agora tenho que subir eu… imagine isso!”.

Segundo, há aqueles que sobem os degraus lentamente, valendo-se do auxílio da engenhoca, chegando mais rápido e com esforço reduzido. Por fim, no terceiro grupo figuram aqueles que saltam os degraus aos múltiplos, alavancando a velocidade, cansando, porém, o corpo.

Ao ponto, então. Muitos alunos entram no ambiente universitário como o primeiro usuário da escada rolante e esperam que a mera presença ali naquele ambiente assegurará a obtenção do saber. Culpam a “manutenção”, a didática dos professores, a falta de estrutura, o nervosismo da prova etc. Mas, a verdade persiste subcutânea a todos os eventos aparentes: o tempo passa e o avanço é pequeno.

Enquanto isso, vários colegas se adiantam no caminho, utilizando-se da instituição e do ambiente para alavancar seu aprendizado. E por fim, quem espera estacionado, sofre às vezes com o impacto daqueles atrasados que, mesmo com um despertar tardio, tentam aproveitar o estímulo do ambiente para aprender. Estes se cansam, ficam exauridos, mas a tendência é aprender para não errar da próxima vez. Como sempre, a metáfora não é perfeita, nem vale para todos os casos. É apenas um pretexto para uma reflexão. Todavia, fica a pergunta: em qual dos tipos de usuário você se encaixa? E para quem acha que estou falando apenas para os meus alunos e minhas alunas, sugiro substituir a “escada rolante” por outras figuras na nossa vida, tais como os pais, irmãos, maridos, esposas, amigos, amigas, namorado(a)s etc. Quem espera ajuda, fica a mercê da vontade alheia. Quem corre atrás, cria a oportunidade de ser ajudado.

Anúncios