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O índice de indicadores antecedentes da Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico (OCDE) foi publicado nesta segunda-feira, indicando aquilo que já se temia há tempos: a atividade econômica mundial vai se desacelerando.

O índice da OCDE busca apresentar sinais antecipados de pontos de inflexão entre expansão e desaceleração da atividade. Baseia-se em vários de indicadores que historicamente apontam para mudanças no ritmo da economia.

O gráfico abaixo evidencia o comportamento agregado de todos os países que compõem a OCDE (os países desenvolvidos). Valores acima de 100 indicam que o crescimento econômico está acima da sua tendência de longo prazo, indicando aceleração; valores abaixo de 100 indicam crescimento abaixo de sua taxa história, indicando desaceleração da atividade econômica.

A seguir, temos os indicadores para China, Coreia do Sul e Japão. Como se nota, o Japão se mantem em forte ritmo de crescimento (6% nos últimos 12 meses). Já China e Coreia do Sul parecem apresentar sensível arrefecimento de sua atividade econômica.

Fonte: OECD (http://stats.oecd.org/Index.aspx?DatasetCode=MEI_CLI)

A surpresa ficou por conta da economia dos EUA, a qual apresenta tendência de acomodação do ritmo de crescimento à sua taxa histórica. Já a Zona do Euro agregada mostra forte desaceleração.

A OCDE entende que Brasil sofrerá intensamente os efeitos da crise, caindo sensivelmente abaixo de sua taxa histórica de crescimento econômico, o que parece reforçar os receios da equipe econômica do governo Dilma e do Banco Central do Brasil quanto à desaceleração da economia brasileira.

Por fim, se abrirmos os dados da Europa, selecionando as maiores economias e a Grécia, a situação é ainda mais dramática. Os indicadores antecipam forte queda no ritmo de crescimento da atividade econômica da Alemanha, França e Itália (as três maiores economias do bloco). São evidentes os sintomas da crise financeira que se propaga pelo continente. A Grécia não dá sinais de qualquer melhoria.

Conclusão: se crescimento econômico é, nas palavras de Keynes, um estado de espírito, podemos dizer que o desânimo tomou conta da economia mundial. Saídas fáceis não existem. Concertos entre nações parecem difíceis, dado que se estabelece o “salve-se quem puder”.

Os chamados “efeitos de composição” tem aumentado o seu risco de ocorrência. Eles significam que a saída para um problema que resulta da ação composta de vários agentes é ineficaz quando todos a buscam simultaneamente.

O mundo precisa de liderança e os olhos se voltam para o Leste Asiático. Por enquanto, a China faz-se de desentendida. A Europa agoniza e os EUA lavam suas mãos. Ficamos à espera de novidades.

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