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A Reunião do G-20 no início deste mês foi marcante pela falta de segurança dos líderes das maiores economias do mundo em tomar as medidas necessárias para sair da crise mundial que persiste há mais de 3 anos.

No encontro, Dilma voltou a dizer, qual disco arranhado, que a saída deveria dar-se por meio de crescimento econômico. Por isso, os países deveriam buscar medidas alternativas ao corte de gastos governamentais e ao aumento dos impostos, uma vez que ambos reduzem a perspectiva de gastos na economia.

Como, no sistema de mercado, o gasto de um consumidor equivale à renda de um trabalhador ou empresário, gasto menor implica desemprego maior; este leva à queda do consumo, a qual conduz a menos otimismo empresarial com relação ao futuro.

O gráfico abaixo mostra que a Zona do Euro se encaminha para uma estagnação duradoura, a chamada recessão técnica, isto é mais de seis meses sem crescer. E nada parece sugerir melhoras, haja vista que a confiança dos empresários no futuro da economia também sofreu forte queda.

Mas por quê isto é importante? Basta lembrarmos que o governo não cria valor. Ele apenas imprime dinheiro. Quem cria valor é a economia, por meio do trabalho e dos investimentos em tecnologia. O governo apenas arrecada compulsoriamente parte destes frutos via impostos.

Em outras palavras, se a economia anda devagar, a renda das pessoas é menor, os gastos são menores também. Como é com base nestas ações que o governo arrecada (o chamado “fato gerador” de tributos), sua receita também se reduz.

Se sua receita é menor, seus gastos deveriam acompanhar, sofrendo queda. Todavia, isso não acontece, dadas as seculares dificuldades que os políticos têm em diminuir seus dispêndios com o dinheiro público.

Com isso, o déficit aumenta (gastos públicos maiores do que arrecadação), exigindo maiores empréstimos no mercado financeiro. Como temos visto, os governos da Zona do Euro vem se deparando com desconfiança quanto à sua capacidade de pagamento, o que faz com que aumentem os juros que eles devem pagar aos credores de sua dívida.

Por isso, a nossa presidente Dilma vem repetindo à exaustão que a saída para a crise é o crescimento econômico. Se este não ocorrer, pode-se aprofundar a crise da dívida europeia. Como um rodamoinho, a tendência é tragar aqueles países que se encontram próximos do turbilhão, como a Espanha.

Os ajustes fiscais na França, segunda maior economia do bloco, com cortes de gastos projetados em 7 bilhões de euros podem não vir a calhar neste momento. O medo de ser o próximo na fila é, no entanto, maior do que a ousadia. Quando somados, os medos geram prostração da atividade econômica. O medo se precipita em realidade.

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