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“Inflação é a única forma de taxação que pode ser imposta sem legislação.”                                                    (Milton Friedman)

A inflação no mundo inteiro vinha subindo e, no caso do Brasil, da China e da Europa, assumiu alturas preocupantes, com vários países tendo suas taxas de inflação acima da meta estabelecida. Porém, a pressão começa a amainar e os governos ganham mais prazo para cuidar da inflação. A crise econômica que acaba com empregos é a mesma que reduz a inflação.

Como podemos ver no gráfico abaixo, apesar de altas as taxas, a tendência é de reversão da trajetória. O segundo gráfico da figura mostra como a inflação nos últimos 12 meses (gráfico à  esquerda) superou a meta (gráfico da direita) estabelecida pelos governos. No nosso caso, a meta de 4,5% (com lambuja de 2% para cima e para baixo) já foi rompida, atingindo a inflação quase 7% nos últimos 12 meses.

Mesmo assim, os Bancos Centrais vem acalmando os mercados quanto ao risco da inflação, alegando que o problema maior agora é o crescimento econômico. A exceção é o Banco Central Europeu, haja vista a tendência ainda altista da inflação na Europa.

Com efeito, o cumprimento das metas de redução da inflação teve prazo estendido até o final do ano que vem; este é o chamado gradualismo, em oposição à política monetária de choque desinflacionário. Vejamos como funciona a inflação e o sistema de controle do Bancos Centrais sobre o seu comportamento.

Inflação é sintoma de querermos mais do que a sociedade pode nos dar. Mesmo que tenhamos muito dinheiro, pode acontecer de os produtos não estarem nas prateleiras, quando formos comprá-los.

Ou, se estiverem, estarão agora cobrando mais por isso. Circula mais dinheiro, mas a produção continua a mesma. Pior, pode acontecer de alguns “espertinhos” reduzirem a produção e aumentar os seus preços, ganhando mais.

As causas da inflação são muitas e bastante complexas. Por isso, não cabe aprofundar-nos nelas agora. O que é importante sobre a inflação é seu efeito redistributivo.

Imaginemos que o governo junto com o sistema bancário emitam moeda e crédito. A quantidade de moeda na economia (o chamado M1) sofre elevação. Toda vez que há mais dinheiro na Economia, alguém tem mais recursos do que outras pessoas que não estavam na “boca do caixa” do governo ou do banco. Como um todo, mais dinheiro leva a maiores preços. Porém, quem tem mais dinheiro agora, pode comprar mais.

Resultado: transfere-se renda daqueles com rendimentos fixos estabelecidos por contrato (salários, contratos financeiros, contratos de aluguel etc.) para aqueles que podem reajustar seus preços (planos de saúde, donos de restaurante, cabeleireiros, manicure, postos de gasolina, serviços de utilidade pública, como gás, água, energia elétrica etc.).

Enfim, a sociedade como um todo tem mais dinheiro, mas o poder de compra se se concentra nos formadores de preço. Em outras palavras, uma parte importante da sociedade está sendo taxada sem que haja um imposto regido por lei. Daí a frase de Milton Friedman na epígrafe deste post.

Veremos, em outra ocasião, como a inflação pode ser conveniente em determinadas situações. Como sempre, em Economia, toda ação tem um custo. E importa saber sobre quem recairá o mesmo.

Quanto maior a inflação, maior a demanda sobre a produção. E quando a produção não cresce no ritmo exigido pelo consumidor, os custos de produção se elevam, forçando o produtor a repassar este aumento para o consumidor.

Como combater a inflação? Há várias formas de fazê-lo e em diferentes prazos, mas chamo a atenção para o nosso atual sistema, compartilhado por 27 países no mundo: o regime de metas de inflação.

Neste sistema, se a inflação sobe, ao Banco Central cabe dificultar o consumo por parte do consumidor, elevando a taxa de juros básica da economia. Se a inflação cai, o Banco Central diminui a taxa de juros.

No nosso caso, esta taxa se chama SELIC. Ela baliza o custo de captação dos bancos, ou seja, quanto eles pagam para tomar dinheiro emprestado. Se esta taxa subir, o banco aumentará o quanto ele cobra de quem lhe pedir empréstimos, de maneira a manter a sua margem de lucro, o chamado spread bancário.

O problema com este regime é que, ao elevarem-se os custos dos empréstimos aos consumidores, ficam mais caros também para os empresários; ou seja, os investimentos também são afetados, diminuindo o ritmo de crescimento da produção.

Se juntarmos este regime de controle da inflação, uma inflação elevada e um cenário de crise global, a prudência aconselha o contraditório: elevar o crescimento.

A força de uma crise econômica é enorme. As empresas receiam produzir e não vender, diminuindo a produção e, consequentemente, o número de empregados.  O medo do desemprego faz com que os consumidores, por sua vez, passem a se proteger, poupando dinheiro. Os preços dos produtos tendem, portanto, a cair, de forma a equilibrar a oferta a uma demanda menor. Veja em reportagem do jornal  Valor Econômico neste link, como o setor de serviços, que mais gerava preocupações, já desacelera a elevação dos preços.

Esse ciclo vicioso e depressivo pode se estender indeterminadamente, repetindo amargurosos eventos do século passado. O gráfico abaixo mostra a evolução do indicador antecedente do Banco Central – IBC-Br, uma prévia do comportamento do PIB. A reversão da tendência é nítida.

Assim, tendo a crise “fazendo o trabalho sujo da SELIC”, como diz o economista André Perfeito, o Banco Central vem tomando medidas de facilitação do crédito, na esperança de que o consumo e a produção aumentem, trazendo boas expectativas de produção e de emprego, contrabalançando a tendência recessiva que importamos do Atlântico Norte, pelo canal da incerteza perante o futuro.

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