Tags

, , , ,

O conjunto de medidas de estímulo ao consumo, anunciado pelo Ministro Guido Mantega no início do mês e projetado pelos economistas como de “baixo impacto”, começa a revelar seus primeiros resultados através da mudança de humor dos empresários.

Criado como uma estratégia para manter a produção e o emprego diante da crise econômica externa, o pacote que possui entre suas principais medidas a redução do IPI sobre eletrodomésticos da linha branca e do IOF sobre crédito ao consumidor ainda não pode ser avaliado quanto aos seus efeitos sobre a economia real. Por outro lado, dois indicadores recentes mostram que os empresários receberam com bons olhos a sinalização de que o Governo está realmente disposto a adotar políticas de combate aos efeitos da crise, tal como em 2008/2009.

Divulgado ontem (27), o IFECAP (Índice Fecap de Expectativas nos Negócios) indicou uma melhora na confiança dos empresários do comércio paulista, revertendo uma tendência de queda que perdurou durante o segundo semestre – época em que se acirrou a crise europeia. Em julho o índice atingiu seu maior patamar no ano (149,16 pontos) e desde então vinha caindo, até que apresentou uma alta de 1% em dezembro. Vale lembrar que o índice deste mês foi calculado através de um questionário feito com varejistas na semana do dia 15, portanto pouco tempo depois do anúncio do pacote.

Em relação ao mesmo período de 2010, o IFECAP de dezembro ainda apresenta uma queda de 13,1%, indicando que o humor do setor ainda está bem abaixo do ideal. Em compensação, o aumento deste mês recebeu contribuição positiva tanto do índice de momento atual quanto do índice futuro que capta as expectativas dos comerciantes para o primeiro trimestre de 2012. Tal como ocorreu durante a crise em 2009, os varejistas acreditam que a redução do IPI e o corte nos juros podem provocar um efeito psicológico positivo nas vendas.

Em linha com a mudança de humor apontada pelo IFECAP, o ICI (Índice de Confiança da Indústria) de dezembro, anunciado pela FGV hoje de manhã, apresentou elevação de 1,1% em relação ao mês passado. Este resultado representa a única elevação do indicador em 2011, dado que desde o início do ano o índice vinha apresentando sucessivas quedas.

A melhora dos negócios na avaliação dos empresários industriais ocorreu tanto na análise do momento atual quanto nas perspectivas para o futuro que apresentaram evolução de 1,9% e 0,2%, respectivamente. Apesar da atual variação positiva, o ICI ainda apresenta uma queda de 10,8% em relação ao mesmo período do ano anterior, mas na avaliação da própria FGV a combinação destes resultados indica certa recuperação no ritmo da atividade industrial no curto prazo.

Ainda não dá para definir o que de fato vai ocorrer em 2012, mas neste fim de ano o Governo sinalizou disposição para combater os efeitos da crise e os empresários, claro, estão sinalizando que gostam desta ideia.

Anúncios