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A economia é uma ciência triste. Triste por que não é, em verdade, uma ciência exata. Aborrece seus leitores com mudanças bruscas, irregularidades inesperadas. O domínio do futuro é a alquimia perseguida pelo economista. Mas, parafraseando o velho Chico, a coisa “vai mal, mas vai mal demais”.

Um ditado da profissão diz que o economista faz a boa fama do meteorologista. Prever o vai acontecer é fácil quando nada muda. No entanto, apreender como os movimentos gerais das médias emprestam sentido aos comportamentos individuais é tarefa espinhosa, repleta de atalhos sedutores que convidam à ingenuidade das explicações simplórias.

Em vez de prever com a precisão da segunda casa decimal, proponho uma rápida olhadela no que vem ocorrendo com o mundo. Dividiremos o mundo em três grandes blocos, funções da velocidade com que vêm andando os negócios nas economias que os compõem. O mundo desacelera, como podemos ver abaixo.

O gráfico abaixo mostra, no topo, os emergentes crescendo rapidamente, desde 2008, apesar de já demonstrarem alguma desaceleração. Os EUA e a Alemanha em marcha lenta, a meia altura do gráfico, seguidos pela Eurolândia e os “malfeitores” periféricos, Itália e Espanha (ao menos aos olhos da Alemanha).

Esta configuração agregada permite que extrapolemos algumas tendências em direção ao futuro, de sorte a delinear a nova geoeconomia que vai se esboçando – é preciso ressaltar – no horizonte do visível. O gráfico abaixo indica o prazo para que a China supere os EUA, ao menos em termos de PIB. Atualmente, os EUA esbanjam um PIB de cerca de US$ 15 trilhões, enquanto a China exubera US$ 7 trilhões.

É claro que quando se divide o valor do PIB pelas suas respectivas populações, os EUA ainda estão muito à frente, uma vez que a produção deste país é dividida entre 300 milhões de pessoas, ao passo que o bolo chinês tem 1,4 bilhões de pessoas em torno de si. Mesmo assim, o gráfico abaixo mostra como o crescimento PIB per capita chinês dá um baile no norte-americano, tendo crescido mais de 50% entre final de 2007 e 2012.

Concluo este post com as previsões feitas pela revista britânica The Economist. Abaixo, o comportamento esperado do crescimento econômico (gráfico à esquerda) e para a inflação ao consumidor (gráfico à direita). É interessante notar como os EUA e a Austrália são os únicos a estabilizar o PIB, ao passo que Eurolândia, Inglaterra e Japão imbicam para baixo.

A seguir, um inventário das expectativas de crescimento dos países com trajetórias de aceleração (à esquerda) e daqueles com tendências de encolhimento da produção (à direita).

É ano do dragão na China que, no zodíaco chinês, significa emanações astrológicas de riqueza e poder. E quem não gostaria de ter um filho absorvendo essas energias? Muitos chineses planejam exatamente isso: ter mais filhos, para melhorar de vida. Haja minério de ferro, madeira, carne de boi e de frango… o meio ambiente será a variável de ajuste, inevitavelmente. Eis o preço do crescimento acelerado sem governança global. Mas isto fica para outra ocasião.

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