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As previsões estão amaldiçoadas. Recentemente, parece que cada notícia boa é rapidamente abafada por algum dado pior em outra parte do mundo. Melhora o emprego nos EUA, mas os gerentes de compra na Alemanha se mostram menos confiantes. A China apresenta estimativa de desaceleração, enquanto a Índia dá indícios de ter desistido de tudo.

Como essas notícias nos afetam? São dois os canais: (1) comércio exterior: com a China crescendo menos, o mercado internacional se arrefece, diminuindo nossas chances de vender. Recentemente, os EUA voltaram a ser o principal destino de nossas exportações. Assim, prevê-se já alguma queda em nossa balança comercial (gráfico abaixo); e (2) mercado de capitais: com a incontinência monetária dos Banco Centrais Europeu e Norte-Americano, os capitais correm para o Brasil, à procura de uma taxa de juros recompensadora de dois dígitos (pelo menos, por enquanto).

A entrada de dólares em abundância (janeiro percebeu a maior entrada de divisas dos últimos 4 meses) barateiam a moeda americana, valorizando o real. O real mais forte significa importações mais acessíveis (pensem em produtos chineses ainda mais baratos) e exportações mais caras (pois o custo do nosso produto, medido em dólar, aumenta). O efeito é mais dificuldades por parte dos produtores nacionais que, em vez de produzir insumos e peças aqui dentro, passam a importar de produtores estrangeiros.

Portanto, a variação do PIB em 2011 pode ser bem menor que a explicitada no gráfico. O problema em economia é que os impulsos se entrelaçam e se reforçam em cadeias de mútua causalidade. Isso dificulta a decomposição das forças e, por conseguinte, a obtenção da resultante das mesmas. Carregados em defasagens, os choques animam respostas da política econômica nacional, via aumento de tarifas de importação, incentivos à indústria nacional e compra de divisas por parte do Banco Central.

Em casos de crises, porém, não há imunidade plena, nem descolamento suficiente para blindar economias tão profundamente interligadas pelos laços do comércio e dos fluxos de capitais.

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