Tags

, , , ,

No sábado último, foi realizado na FECAP o I Encontro de Conjuntura Econômica, organizado pelo Núcleo de Pesquisa da FECAP. Neste encontro, fui convidado a apresentar perspectivas sobre o cenário político para este ano. Escrevo aqui os comentários que foram apresentados por mim neste evento.

Para se estabelecer comentários sobre o ano político, começamos com os projetos pretendidos pelo Executivo. Como é feito anualmente, a presidente Dilma encaminhou ao Congresso uma série de diretrizes dos temas que devem compor a agenda para este ano. O gráfico a seguir apresenta estas diretrizes.

Fonte: Valor Econômico (03/02/2012)

Dentre os tópicos apresentados, há vários itens importantes, como o alongamento do prazo e alteração do perfil da dívida pública, a manutenção dos programas Minha Casa, Minha Vida e Brasil Sem Miséria, dentre outros. Porém, cabe destacar que, a exceção do debate em torno da legislação do ICMS e do regime de previdência complementar do servidor público, os demais tópicos são itens de baixo grau de polêmica. Não há nenhum grande tema, além destes dois apontados, que possam mobilizar dramaticamente a opinião pública ou mesmo a classe política de maneira ampla. Assim, vislumbra-se uma agenda pouco conflituosa para 2012.

Importante ainda é destacar a capacidade do governo em implementar esta agenda. Dois aspectos são importantes aqui: o primeiro depende da relação entre o governo e a oposição no Congresso Nacional. O segundo é o nível de aprovação popular. As informações abaixo nos ajudam a entender melhor esta dinâmica.

Fonte: CEM / CEBRAP

Pela tabela acima, pode-se notar o grau de disciplina de cada partido nas votações do Congresso. O valor da coluna da direita nos mostra o percentual de deputados que seguiram a posição do líder do partido em uma votação no Congresso. Ao final, vê-se o grau de disciplina dos partidos que compõem a base governista e aqueles que formam a oposição. Estas informações mostram que os partidos da base governista estão mais disciplinados do que os da oposição. Sugere, ainda que não se possa ter certeza, que alguns deputados da oposição tem votado em favor do governo em algumas disputas no Congresso em grau maior do que os governistas agem indisciplinadamente. Neste caso, o cenário apresentado parece favorável ao governo Dilma. Cabe agora avaliar o segundo aspecto apresentado, sobre a aprovação da população.

Fonte: IBOPE / CNI

O gráfico acima mostra o nível de aprovação ao longo do primeiro ano do governo Dilma. Este índice alcançou em dezembro do ano passado, 56% de avaliação “ótimo/bom”, o que é recorde para o final do primeiro ano, superando os governos Lula e FHC.

Ambas informações em conjunto mostram um governo com elevada capacidade de implementar seus projetos: por um lado, o grau de disciplina do governo é alto e maior que da oposição, que aliás, tem se mostrado reiteradas vezes desorganizada. Por outro, há elevado grau de aprovação popular, o que dá ao Executivo uma posição de maior força nas negociações do Congresso. Dificilmente, alguém quererá se opor ao governo se este mantiver o seu nível de apoio popular, a não ser que possua um claro projeto político para o caso em questão.

Neste contexto, pode-se dizer que este ano começa favorável ao governo, no sentido deste ter uma agenda com altas chances de implementação. Porém, o contexto pode se alterar e não há garantias de que estes fatores permanecerão assim para todo o ano. Há previsões de aumento de desemprego, por exemplo, para este ano o que pode deteriorar parte do apoio popular do governo. Seja como for, realizar previsões em política, como já diria o velho Tancredo Neves, é como olhar para o céu para analisar as nuvens: no momento presente, está de um jeito; daqui a pouco, já está de outro.

Anúncios