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No segundo semestre do ano passado, o governo federal resolveu elevar a alíquota de IPI a todas as montadoras de automóveis que não alcançassem 65% de itens nacionais em seus produtos. No início desse ano, em passagem pelo Brasil para um seminário, o já famoso economista de Cambridge, Ha-Joon Chang, afirmou que esta medida foi um “tiro certeiro” da política industrial brasileira. Porém, a análise parece ter sido muito precipitada por dois aspectos: pela história do próprio setor no Brasil e pelo relativo grau de desenvolvimento do setor.

O setor automobilístico não é uma indústria nascente no Brasil. Ao contrário, privilegiada já desde o Governo Juscelino Kubitschek, as montadoras de veículos no Brasil atravessaram um longo período no qual o transporte individual na grandes cidades foi privilegiado. Ao longo da segunda metade do século XX, o transporte de automóveis recebeu um largo incentivo com a urbanização crescente ocorrida no Brasil. Ao mesmo tempo, o setor esteve alheio às disputas internacionais para em razão da elevadas barreiras de importação praticadas no país. Este cenário foi alterado apenas com o Governo Collor, que chegou a afirmar que nossos carros eram carroças. Assim, por esta ótica, o privilégio de conceder a este setor particularmente uma proteção à concorrência internacional não parece ser algo positivo para o desenvolvimento do setor.

Ainda, devemos considerar que este setor não é um setor estratégico do ponto de vista da inovação tecnológica que a indústria nacional pode experimentar. Há outras áreas nas quais o Brasil tem condições de apresentar desenvolvimento ainda mais rápido capaz de garantir ganhos reais ao desenvolvimento do país. Rapidamente, podem ser citados dois: a exploração de petróleo em águas profundas e os avanços genéticos na produção agropecuária. Liderados pelas pesquisas da Petrobrás e da Embrapa, estes dois setores possuem enormes potenciais para que seu progresso seja ainda mais acelerado com políticas industriais inteligentes que os promovam.

A análise do excelente economista Ha-Joon Chang nos parece precipitada, ainda mais quando observamos que as indústrias estão encontrando meios de cumprir a lei por meios pouco adequados, como mostra a reportagem de hoje no site Uol. O setor automobilístico brasileiro já teve suas oportunidades de ganho no Brasil com abundantes privilégios. Defender o setor da concorrência internacional não parece ser mais necessário.

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