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A eleição para prefeito em São Paulo assumiu contornos dramáticos nos últimos dias, quase um “terceiro turno” da eleição presidencial, após o anúncio da pré-candidatura de José Serra pelo PSDB. Sua disposição a concorrer ao cargo, segundo o próprio, é uma questão de necessidade política. O que não foi dito é que esta necessidade decorre de sua própria posição dentro do partido e da dificuldade do PSDB se portar como oposição.

Desde o primeiro governo Lula, o PSDB acusa o governo petista de não possuir uma agenda própria e de simplesmente manter o que já era realizado pelos tucanos anteriormente. Sob esta perspectiva, o governo petista apenas se mantem no poder pela utilização da máquina pública, seja para conseguir apoio político de outras legendas, seja com práticas clientelistas para angariar mais votos.

Apesar destes argumentos, o PSDB não conseguiu ir além e se viabilizar como alternativa ao governo petista. Conforme divulgado pelo Blog do Fernando Rodrigues, dentre as 83 maiores cidades do Brasil – capitais e aquelas com mais de 200 mil eleitores – o PSDB comanda apenas 8% do eleitorado destas cidades, seus aliados não comandam nenhuma, enquanto o PT e seus aliados governam expressivos 72% dos eleitores.

A eleição de São Paulo ganha assim contornos importantes. Enquanto o PT busca viabilizar uma nova liderança e assim arejar seus quadros, estratégia necessária após a completa inviabilização de vários de seus nomes com o episódio do mensalão, o PSDB lança mão de um nome do porte de um ex-candidato à Presidência da República para um cargo municipal, numa tentativa de frear o crescimento governista.

Entretanto, esta estratégia do PSDB enfrenta várias dificuldades. A primeira é saber se Serra superará a rejeição que possui em São Paulo, em parte resultado de sua promessa quebrada de não abandonar o cargo de prefeito na eleição de 2004 para concorrer a eleição a Presidência dois anos depois. A segunda é que não há unidade no discurso dos tucanos e de seus apoiadores. Enquanto ainda se repete que o PT não possui agenda e apenas é uma continuidade piorada das propostas do próprio PSDB, Serra já fala do confronto de duas visões de Brasil, de dois projetos distintos. Há continuismo petista ou o governo é mesmo diferente? A terceira é que para parte do PSDB paulista, a candidatura de Serra dividirá ainda mais o partido que já não tem muita unidade desde que se viu como oposição.

Por outro lado, o apoio de Kassab, incondicional, e de Alckmin, o deste provavelmente mais intenso se acreditar que Serra permanecerá no cargo como prefeito até o final do mandato, são trunfos importantes durante a campanha. Do apoio de Kassab, cabe uma ressalva importante: seu peso se dá mais a utilização da máquina de governo do que propriamente por seu apoio, já que a avaliação de seu governo é bastante ruim. Soma-se a estes o efeito da novidade de Haddad como candidato do governo federal, que se tem a vantagem de não ter uma rejeição anterior, deverá superar as dificuldades de ser um novo rosto no cenário eleitoral. Estes fatores são pontos favoráveis a candidatura de Serra e serão altamente considerados neste cenário.

É esperar para ver. Esta eleição parece ser bastante importante para as pretensões tucanas nos próximos anos. Inclusive, para o PT, uma vitória em São Paulo aumentaria ainda mais sua abrangência sobre parcela relevante do eleitorado. Aparentemente, a eleição em São Paulo se dará em torno do anti-petismo versus a má-avaliação da administração Kassab e as dificuldades internas do PSDB. Haverá bastante emoção até outubro.

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