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É notória a diferença de estilos de governo de Dilma e seus antecessores mais próximos, Lula e FHC. Mais do que apenas a maneira mais truculenta de lidar com a base aliada, a atual presidente não lança mão de um conselho ou um conjunto de pessoas próximas com quem dividir as suas decisões, como fizeram seus antecessores imediatos. Ao contrário, aparentemente, suas decisões são tomadas solitariamente, para o bem e para o mal. Apesar de poder ser encarada apenas como uma questão de estilo de gestão, notícias recentes sobre a composição de sua base aliada no Congresso Nacional apenas reforçam os perigos do estilo adotado pela presidente.

O PR anunciou anteontem que não fará mais parte da base de apoio ao governo no Congresso. Com 7 senadores, quase 10% das cadeiras de todo o Senado, o partido alega desavenças com o Poder Executivo desde a saída de Alfredo Nascimento do Ministério dos Transportes em julho do ano passado. Apesar de Dilma ter mantido a pasta sob o comando do PR, as lideranças do partido não aceitavam o nome indicado por ela e pressionavam por mudanças. Este é o motivo alegado pelo partido por deixar o apoio ao governo.

Porém, o estilo centralizador de Dilma também pode ser o responsável por um outro problema que desestabilizaria o seu apoio no legislativo. Segundo alguns analistas, o descontentamento com o Executivo se dá em razão do contingenciamento nas verbas orçamentárias destinadas à execução de emendas individuais propostas pelos parlamentares. Cabe lembrar que, apesar de causar descontentamento, tal decisão pode ter origem distinta das afirmadas por estes analistas.

Assume-se que os parlamentares desejam enviar recursos para as cidades apenas para sustentar um reduto eleitoral próprio. Estas decisões seriam a contrapartida do político pelos votos que recebe e seria o cerne dos problemas de governabilidade no Brasil. Porém, pesquisas mais recentes alteram esta interpretação. Uma alternativa que começa a ser explorada é a de que o recurso orçamentário quando escolhido pelo deputado é direcionado para cidades nas quais o prefeito é de seu partido ou para cidades nas quais o deputado pretende se candidatar a prefeito, inclusive durante seu mandato como parlamentar. Considerando principalmente a primeira hipótese, esta situação altera o caráter personalista da representação política e começa a envolver um conjunto um pouco maior de atores. Estes de alguma forma estarão submetidos a decisões partidárias, ainda que de maneira mais branda em algumas siglas.

Seja como for, o estilo Dilma de governar concentra muito, se não toda, a responsabilidade da administração em torno do Executivo. A divisão de cobranças praticamente não existe no governo. Atualmente, como já dito aqui em outro post, o apoio popular ao governo é bastante alto e isto traz um capital importante para o Executivo no jogo político. Mas estes desgastes centralizados todos na figura da própria presidente podem lhe trazer custos de maneira mais rápida do que seria desejado por ela própria.

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