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Foi divulgada na última semana uma notícia de que Kassab daria início agora, no último ano de mandato, a investimentos no setor de transportes na cidade de São Paulo. Promessa de campanha, Kassab afirmou que ampliaria o número de corredores de ônibus, investiria em tecnologias de baixa poluição e criaria áreas de ultrapassagem, dentre outras obras. Estas medidas praticamente não foram tomadas nos 3 primeiros anos de seu mandato e são somente divulgadas como prioritárias para os gastos da prefeitura em 2012.

Os estudiosos que tratam de análise de Economia Política já identificaram um comportamento padrão dos governantes do qual esta escolha de Kassab é exemplo: a expansão dos gastos públicos em anos eleitorais. Preocupados em interferir no resultado da eleição, os atuais mandatários abrem os cofres públicos como forma de ganhar o apoio dos eleitores para o candidato de seu partido ou mesmo para a sua reeleição. Este fenômeno é chamado de Ciclo Eleitoral. Nem a Lei de Responsabilidade Fiscal foi capaz de acabar com sua ocorrência.

O pesquisador Sérgio Sakurai mostra em uma pesquisa importante a ocorrência de ciclos eleitorais para as cidades brasileiras. Especificamente para os gastos em transporte público, o trabalho aponta que nos anos eleitorais as despesas neste quesito aumentam, em média, R$ 2,08 per capita. Isto implica dizer que, para uma cidade como São Paulo, com seus quase 11 milhões de habitantes, é esperado que os gastos em transporte sejam elevados em cerca de R$ 20 milhões, em média.

Se este é um comportamento padrão dos prefeitos brasileiros, e que com relação aos transportes públicos, não se relaciona à ideologia partidária, a gestão Kassab preferiu deixar para cumprir promessas de campanha em seu último ano de mandato. Argumenta, como mostra a reportagem da Folha, que privilegiou apoio às obras do metrô na cidade em parceria com o governo do Estado.

Porém, o problema desta estratégia é que o metrô é uma obra que depende o governo do Estado e a população sabe disto. Ou seja, Kassab não só deixou de cumprir uma promessa de campanha, como preferiu adotar a estratégia de privilegiar obras que repercutem no governo do Estado. Se estendido, este caso deve explicar parcialmente seus baixos índices de popularidade na cidade. É um exagero da utilização do Ciclo Eleitoral.

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