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Num movimento de queda significativo, de junho de 2011 a maio de 2012, o juro real (juro nominal descontado da inflação) no Brasil saiu do nível de 7% para um patamar abaixo dos 2,5%.

Queda na Selic, política agressiva de redução dos juros nos bancos estatais, mudanças na regra de remuneração da poupança e maior tolerância com a expectativa inflacionária estão entre as ferramentas usadas pela equipe econômica do Governo Dilma para levar os juros reais do país a níveis historicamente baixos e já bastante próximos dos 2% prometidos pela Presidenta até o fim do seu mandato.

De fato, se o país conseguir conciliar taxas de juros reais tão reduzidas com controle da inflação estaremos vivenciando uma melhora institucional histórica para a economia brasileira. Mas o “porém” é sempre, infelizmente, a questão da estabilidade das taxas de inflação. E esta é exatamente a aposta da equipe econômica do Governo, ou seja, Eles acreditam que é possível atingirmos juros reais mais baixos sem alimentarmos o dragão da inflação.

Nem todos pensam assim. Na semana passada, após o anúncio das mudanças nas regras de remuneração da poupança (que deve vir acompanhado de novas quedas da Selic), analistas de mercado já começaram a rever suas previsões para a inflação medida pelo IPCA, principalmente em 2013 (os últimos dados do relatório Focus divulgado pelo Banco Central mostram estes ajustes nas expectativas inflacionárias do mercado). Diversos economistas também estão alertando para os riscos do juro real estar em patamar muito baixo, com a economia caminhando para uma demanda acima do PIB potencial, o que exigirá que o Banco Central volte a elevar a Selic no futuro próximo.

De minha parte, confesso que me causa certa preocupação imaginar que esta possibilidade de conciliar baixo juro real com inflação controlada pode estar calcada única e exclusivamente no cenário de recessão global e que ao menor movimento de reaquecimento da economia mundial podemos nos descobrir num ambiente indesejado de superaquecimento da demanda. Além disso, é fato que a política monetária de redução dos juros leva um tempo para gerar efeitos reais sobre a produção e o consumo, portanto, mesmo que a economia mundial continue patinando, é cedo para dizermos que já conhecemos os reais efeitos do atual nível dos juros reais.

De qualquer forma, tomara que Eles estejam certos.

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