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Há algum tempo, havia sugerido, meio que como quem não quer nada, que a Grécia se preparava para dar adeus à Zona do Euro. Àquela altura do jogo,  já me parecia insuperável a dificuldade enfrentada pelos líderes gregos em convencer a sua população a sofrer duras perdas de bem-estar para honrar os pagamentos das dívidas do país.

A certeza ganhou força em tempos recentes quando se começou a falar, ainda que hipoteticamente, dos efeitos de uma saída da Grécia. Agora, todo mundo começa a falar abertamente sobre o tema e seus impactos sobre a economia mundial, bem como sobre as formas pelas quais a Grécia pode evitar um cataclismo social, caso opte por sair, ou venha a ser excluída pelos outros membros da União Europeia.

O gráfico abaixo mostra que as coisas vão mal na Europa, com todas as economias, inclusive a respeitável França, sem aumentar a sua produção. Como de costume, a Alemanha se destaca, crescendo 0,5%.

Certamente, esses resultados só vem a piorar a situação da Grécia, onde apenas nessa semana, os bancos já sofreram saques de papel-moeda da ordem de 5 bilhões de euros. É o medo dos gregos quanto à possível reedição do dracma, a antiga moeda do povo helênico.

Enquanto isso, a liturgia da diplomacia alemã esconde a rigidez de sua postura ortodoxa na gestão monetária da zona do Euro. Austeridade nesse momento só agrava o problema. Não à toa, a revista The Economist sintetizou, com acidez, o que é necessário para que a Europa alivie suas penas, dizendo que “o euro precisa de reformas na França, extravagâncias na Alemanha e maturidade política na Itália”.

Com isso, todo o cortejo fúnebre de previsões se alastra com rapidez e com vigor. E não é sem razão. As repercussões de uma saída da Grécia convidam outros países a seguir seu exemplo, tais como Portugal e Irlanda. Além disso, ainda é alta a exposição de bancos italianos e espanhóis, bem como franceses e alemães, à dívida do governo grego.

Em uma palavra, a semana que vem promete! Essa crise fascina o intelectual pela sua resiliência e pela riqueza de detalhes que expõe. No entanto, um outro sentimento desponta no coração de um ser analítico: o medo da catástrofe.

Mais uma vez, a despeito de um oportunismo audacioso, o Banco Central do Brasil pode ter acertado em cheio, antecipando-se ao agravamento da crise e reduzindo a taxa de juros de forma sinalizadamente sistemática.

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