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Há pouco menos de 5 meses para as eleições, os pré-candidatos já estão arregimentando apoios e buscando a maior inserção possível de seus nomes às suas vantagens comparativas. A expectativa de muitos analistas de se observar uma polarização da disputa entre José Serra (PSDB) e Fernando Haddad (PT), partidos a disputarem as eleições nacionais, deverá ocorrer apenas após o início das campanhas. A pesquisa recentemente divulgada pelo IBOPE (09/maio) traz um panorama em que uma terceira força não pode ser desprezada, seja ela Gabriel Chalita (PMDB) ou de Celso Russomano (PRB). O papel desta terceira força, notadamente do peemedebista, pode trazer surpresas às eleições. Os dados apresentados merecem ser avaliados.

O gráfico a seguir mostra a intenção de voto desta pesquisa.

Fonte: IBOPE

José Serra aparece com 31% das intenções de voto, seguido por Celso Russomano (16%). Netinho, Soninha, Chalita, Paulinho e Haddad estão todos tecnicamente empatados, dada a margem de erro de 3 pontos percentuais. Este cenário não se alterou praticamente desde a última pesquisa e sugere a força dos nomes dos dois primeiros candidatos que já se participaram de outras eleições e conseguiram se eleger – José Serra para prefeito e Celso Russomano para deputado federal. A polarização entre PSDB x PT parece comprometida aqui e Russomano torna-se a figura a desequilibrar este balanço de forças.

O interessante é notar o gráfico de rejeição observado nesta mesma pesquisa. O gráfico a seguir apresenta estes dados.

Fonte: IBOPE

Este gráfico sugere o limite de crescimento para cada candidato. Netinho e José Serra são aqueles com maior taxa de rejeição entre os eleitores paulistanos: 38 e 35%, respectivamente, disseram que não votariam neles de jeito nenhum. Celso Russomano com 13%, Fernando Haddad com 12% e Chalita com 11% colocam-se a certa distância.

Estas informações sugerem que Serra pode chegar a 65% dos eleitores, o que é número expressivo para vencer a eleição inclusive no primeiro turno. Mas, por outro lado, mostra que seus 31%, também expressivos, significam quase metade de seus potenciais eleitores. Ou seja, sua marca é considerável, mas há pouco espaço para crescimento. Por outro lado, Celso Russomano parte de um percentual de votos razoável e um baixo índice de rejeição. Esta é sua vantagem frente à Chalita e à Haddad que estão até aqui em condições muito semelhantes.

Uma terceira informação deve ser considerada: a avaliação dos governos atuais. O gráfico a seguir mostra a opinião dos paulistanos sobre as gestões Dilma, Alckmin e Kassab.

Fonte: IBOPE

Nota-se que a avaliação municipal é pior avaliada que a estadual que, por sua vez, é pior avaliada que a federal. Tomando apenas as considerações ótima e boa aos governos, a gestão Kassab alcança pouco mais de 22% das respostas, enquanto a gestão Alckmin 42%, enquanto a gestão Dilma se aproxima dos 67%. Como se sabe, Kassab e Alckmin declararam apoio a Serra, enquanto Dilma seguirá com seu partido e subirá no palanque de Haddad.

Estas últimas informações invertem a lógica apresentada anteriormente, lançando desafios importantes e uma dúvida fundamental. Se, em um cenário pessimista, assumirmos que os 31% que declararam o voto em Serra estão entre os 42% que aprovam a gestão Alckmin, seu intervalo de fácil crescimento é de 11%, restando ainda quase 10% para vencer as eleições. A situação piora se considerarmos que parte destes 11% podem também considerar a gestão Dilma como ótima ou boa, o que tornaria a tarefa de alcançar os 42% consideráveis. O apoio de Kassab, ao contrário, não deve trazer benefícios ao tucano. Ao contrário, seu elevado índice de desaprovação pode atrapalhá-lo ao longo da campanha nos próximos meses.

Por outro lado, para Haddad, a espera pela campanha tem sido longa. O apoio de Lula e Dilma serão trunfos consideráveis para superar o desconhecimento que o eleitor paulistano tem de sua figura. A aposta é alta, mas a elevada taxa de aprovação da presidente, que vem crescendo, será um fator importante e estará de acordo com a evolução do cenário nacional. Considerando o elevado tempo de televisão previsto ao PT, certamente a campanha focará em cima da imagem dos líderes petistas.

A grande dúvida estará com o papel da terceira força. Por um lado, Celso Russomano tentará ocupar o vácuo surgido na direita política paulistana, surgida desde a perda de poder de Paulo Maluf. Estes votos que tenderam ao PSDB e ao DEM nas últimas eleições voltarão a ter uma alternativa. Seus 16% não são desprezíveis e haverá uma briga com o candidato tucano. Por outro lado, Chalita entrará na disputa com elevado tempo de televisão e o apoio do partido que ocupa a vice presidência da República. Isto não é pouco. A questão é saber de quem ele roubará votos, dado que, apesar deste apoio federal concorrer com o apoio de Dilma a Haddad, o candidato foi secretário de educação do governo Alckmin. Não é possível antever de quem ele roubará votos. Até porque, deve-se considerar que se por um lado, o PT tradicionalmente consegue polarizar os votos da Esquerda, atingindo seu piso histórico de cerca de 30% dos votos, assim como o PSDB os da Direita, por outro, a entrada de um candidato mais ao Centro parece conflitar com o esforço que o petista terá de fazer para conquistar uma classe média mais conservadora da cidade que, após o apoio à Marta Suplicy em 2000, se negou a voltar a eleger um petista prefeito da cidade. Esta me parece que será a situação da eleição em São Paulo em que um segundo turno previsível em torno do PSDB-PT não está facilmente encaminhado.

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