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Continuando o post apresentado aqui, a discussão sobre a aplicação do método científico ao nosso cotidiano deve se aprofundar. Isto porque as limitações apresentadas pela Ciência afetam nossas vidas de forma mais direta do que supomos a primeira vista. Notadamente nas ciências sociais empíricas, como a Economia, sua aplicação em muitas situações cotidianas deve ser ponderada com cuidado.

A Economia em sua análise de dados trabalha com a aplicação de modelos estatísticos. Estes, por sua vez, são estudos poderosos que trazem informações bastante relevantes sobre fatos importantes. Sua contribuição, porém, está no fato de que a estatística permite reconstruirmos nossas intuições a respeito do mundo que nos cerca e, mais do que isso, a testar a nossa necessidade de encontrarmos padrões tão estáveis quanto gostaríamos.

Um livro lançado em 2009 no Brasil, chamado O Andar do bêbado, de Leonard Mlodinow, apresenta de maneira bastante didática estes problemas da real frequência de ocorrência de fenômenos na natureza e o contraste destas situações sobre nossa percepção sobre elas.  Mas como isto está relacionado com a Economia e nossas escolhas? Em várias situações, nós consideramos informações relevantes apresentadas por estudos econômicos para nossa tomada de decisão. E em muitas vezes, acabamos por perder algumas oportunidades por não considerarmos sob perspectiva mais ampla os resultados apresentados.

Um exemplo bastante claro vivido por muitos é a escolha profissional. Ao se perguntar em que curso se matricular, muitas pessoas ficam altamente indecisas dado o peso atribuído geralmente a tal escolha. Neste momento, muitos colhem várias informações e dentre elas, a remuneração média obtida por determinada profissão. Este dado é bastante útil, mas nunca deve ser considerado isoladamente. Ao observarmos as médias de determinadas profissões, chegaremos a conclusão de que esta ou aquela profissão são melhores escolhas porque pagam mais do que outras. E é exatamente esta conclusão que precisa ser contemporizada.

A primeira razão para termos cuidado decorre  da própria estatística: a média isoladamente sem a observação da dispersão dos dados não nos permite atingir uma conclusão adequada. A segunda razão é mais de ordem filosófica: o salário que um indivíduo em particular receberá dependerá de diversos outros fatores idiossincráticos não sendo possível serem antecipados e na verdade, nos preocupamos com o nosso salário e não com a média daquela profissão. Imaginem a situação de artistas de renome, como ao Bono Vox, por exemplo, pensando em escolher sua carreira profissional e observando antes de se decidir dedicar a música qual é o salário médio pago a um músico. Certamente, a probabilidade de que este resultado se repita é bastante baixa, mas haverá alguns casos assim. Seremos nós esse caso?

Estas breves divagações cotidianamente representadas nas conversas travadas entre alunos e entre professores do ensino superior acabam aproximando os achados científicos no campo das ciências sociais à realidade vivenciada por todos nós. Cabe observar, então, mais uma vez: é preciso usar com cuidado os achados científicos.

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