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Em post anterior publicado aqui, foi tratado do poder da terceira força em São Paulo. Dizia-se lá que o resultado esperado da eleição paulistana, que gira em torno da polarização PT-PSDB, passaria pela compreensão do papel que a terceira força, vinculada aos nomes de Gabriel Chalita (PMDB) e Celso Russomano (PRB), teria ao longo das campanhas. Um pesquisa realizada pela Universidade de São Paulo no início de maio, antes, portanto, da tão falada fotografia entre Lula e Maluf e seus desdobramentos, traz novas informações úteis neste debate. Neste texto, focaremos na avaliação do segundo turno.

A pesquisa incluiu uma avaliação sobre a intenção de voto do paulistano no segundo turno. No cenário da polarização PT-PSDB em um eventual segundo turno, os resultados são os seguintes:

Serra venceria com 57% dos votos, enquanto Haddad teria 25%, lembrando sempre que a margem desta pesquisa é de 3%. Mas há mais informações importantes.

Este mesmo quadro deve ser feito considerando o eleitorado que disse votar em Chalita, Russomano e Netinho de Paula, agora oficialmente fora da disputa, frente aos demais candidatos. Estes três nomes seriam os potenciais integrantes de uma terceira força capaz de quebrar a polarização PT-PSDB. Na tabela a seguir, há as informações de quem os eleitores que se manifestaram votar em um destes três candidatos votariam em um eventual segundo turno entre José Serra e Fernando Haddad.

Algumas observações sobre estes dados são relevantes. A primeira delas é que Serra receberia mais votos no segundo turno de eleitores que manifestaram votar em outros candidatos que não em um destes três (62%). Avaliando os eleitores destes três, sua intenção de voto cai do total de 57% apresentado na tabela acima para o intervalo entre 45 e 47%. Com a margem de 3%, pode-se afirmar que Serra perde votos dentre o eleitorado destes três candidatos. Haddad recebe mais votos do que o geral, mas muito próximo à margem desta pesquisa. A exceção se dá para os eleitores de Netinho de Paula. Dentre eles, Haddad atinge 43% da intenção de voto, bem acima dos 25%.

Como estes resultados dependerão da campanha a ser iniciada em breve, vale a pena avaliar qual a intenção de votos nos candidatos do PT e do PSDB, incorporando os apoios de outros políticos que certamente serão explorados ao longo da campanha. Lula, Dilma, Alckmin, FHC terão suas imagens utilizadas em prol de seus candidatos e afetarão o resultado da campanha. A mesma pesquisa perguntou aos entrevistados que, sabendo do apoio de Lula, Dilma e Marta a Haddad e do apoio de Fernando Henrique, Alckmin e Kassab a Serra, qual é a intenção de voto no 2o turno para a eleição paulistana. Os resultados estão na tabela abaixo:

O resultado torna-se um empate técnico. Dentro da margem de erro da pesquisa, Haddad atinge 47%, enquanto Serra, 42%. Importante notar que não só Haddad ganha uma expressiva quantidade de votos, como Serra perde, saindo de 57% para 42%. Ainda é possível verificar se esta queda decorre de efeito negativo de seus apoiadores sobre seu eleitorado ou se da força do apoio de Lula, Dilma e Marta sobre seus eleitores. O questionário verificou este ponto, mas fica para um próximo post.

É muito cedo para qualquer definição sobre as eleições. Há muitos eventos a acontecer ainda que certamente influenciarão a decisão do eleitor, como a tão falada foto de Haddad-Lula-Maluf, além da própria campanha. Porém, aparentemente, o que se pode dizer em conjunto com o post anterior é que Serra parece depender mais de si mesmo do que de seu partido, enquanto Haddad, ao contrário, precisará contar mais com a força de seus padrinhos políticos. A elevada taxa de rejeição de Serra parece se refletir nas escolhas que os eleitores fazem: aquele que opta por um outro candidato, dentre os de maior expressão, parecem não escolher o candidato tucano. Já Haddad, um ilustre desconhecido da população paulistana, precisa se beneficiar da taxa de reprovação tucana, convencendo o eleitor de que é capaz de fazer jus ao apoio de Lula e Dilma. Que venha a campanha!

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