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Retomando o último post que ainda tratava das eleições municipais paulistanas, ficou em aberto tratar da relevância do apoio político de figuras consagradas sobre as intenções de voto dos paulistanos. Neste texto, vamos cumprir esta etapa.

No mesmo questionário aplicado em São Paulo no final de abril, foi perguntado aos eleitores paulistanos se ao saber do apoio de alguns políticos notáveis a algum candidato particular aumentaria ou diminuiria a chance do entrevistado votar neste candidato. O resultado geral está na tabela a seguir:

O apoio do prefeito Gilberto Kassab e do senador tucano Aloysio Nunes são aqueles que parecem menos estimular os eleitores: seu apoio aumenta as chances do eleitor votar em seu candidato para apenas, respectivamente, 13,1% e 11,3% dos respondentes. Aliás, o apoio de Kassab reduz as chances do eleitor em votar no candidato apoiado para 55,3% dos entrevistados. De Aloysio, o número de respostas “Indiferente” é alto (34,9%) e de “Não sabe” (27,3%) é o maior para esta linha em toda a tabela. Para os demais, os apoios de Dilma e Lula aumentam consideravelmente as intenções de voto, de Suplicy também, ainda que reduza também em um percentual considerável das respostas. O apoio de FHC e de Marta são bastante similares e de Alckmin é um pouco melhor, no sentido de que número menor de entrevistados disseram que seu apoio diminui as intenções de voto.

Mas, como vimos no último post, o apoio de Lula, Dilma e Marta a Fernando Haddad e o apoio de Fernando Henrique, Alckmin e Kassab a José Serra fazem com que as projeções de segundo turno indiquem empate técnico entre os candidatos tucano e petista. Há duas dimensões que merecem ser avaliadas neste caso: a primeira é avaliar como se comportam os eleitores que votariam em Serra e em Haddad com relação aos apoios sugeridos. A segunda dimensão é verificar em quem votam aqueles que dizem ser importante o apoio de Lula, Dilma e Marta, por um lado, FHC, Alckmin e Kassab, de outro. Para verificar a primeira dimensão, apresenta-se uma tabela com a posição dos eleitores de Serra no primeiro turno sobre os apoios sugeridos anteriormente:

Como era esperado para este grupo, o apoio de FHC, Alckmin, Kassab e Aloysio aumenta as chances de voto em percentual superior em relação a média geral, enquanto o apoio de Dilma, Lula, Marta e Suplicy aumenta as chances de voto em menor proporção do que a avaliação geral. Com relação aos eleitores de Haddad no primeiro turno, como pode ser visto na tabela a seguir, o movimento também é o esperado:

Como se vê, o apoio de Dilma, Lula, Marta e Suplicy aumentam as chances de voto em maior proporção do que a média geral, enquanto o apoio de FHC, Alckmin, Kassab e Aloysio aumentam em menor proporção. Estes resultados primeiros sugerem como válida uma intuição geral: o eleitor paulistano de maneira geral distingue corretamente os grupos políticos da cidade. Evidente que é necessário uma pesquisa apenas com este intuito para testar a validade desta hipótese, mas estes primeiros dados sugerem que há um eleitor peessedebista e outro petista. Porém, esta constatação não resolve o problema do post anterior: de que maneira o apoio destes políticos altera a intenção de voto dos paulistanos. Para isto, a segunda dimensão indicada acima precisa ser avaliada.

Com este objetivo, a tabela apresentada a seguir será bastante útil. Ela mostra a variação da intenção de votos dos eleitores paulistanos para o 2o turno entre José Serra e Fernando Haddad antes e depois da declaração dos apoios.

Há dois dados que chamam atenção. Apenas 1,9% dos eleitores que declararam votar no Serra após os apoios haviam declarado votar no Haddad sem que se conhecesse os apoios. Por outro lado, 32,6% dos votos do Haddad após o apoio vieram de eleitores que declararam votar no Serra anteriormente. Ou seja, há um troca de posição entre os entrevistados apenas saindo de Serra e migrando para Haddad. Se há um eleitor petista e outro peessedebista, isto não deveria acontecer. Assim, é em torno destes eleitores que se deve ampliar a análise: mudaram de votos por que o apoio à Haddad os agradou ou porque o apoio à Serra os desagradou?

Para isto, replicamos a tabela sobre a importância do apoio de cada um dos políticos discriminados anteriormente e calculamos a diferença entre os resultados obtidos para os eleitores do Serra que mudaram para o Haddad com os resultados para os eleitores que declararam votar no Serra no primeiro turno. As diferenças calculadas estão abaixo.

A tabela acima mostra vários resultados interessantes. A exceção de Suplicy, que está muito próximo da margem de erro do teste, o apoio de Dilma, Lula e Marta aumenta substancialmente a intenção de voto em determinado candidato para este grupo. Ao mesmo tempo, o apoio de FHC, Alckmin, Kassab e Aloysio reduz a intenção de voto. Raciocínio inverso vale para a linha de diminuição da intenção de voto. Cabe dizer que se calculada contra os eleitores de Serra do 2o turno, o resultado é bastante semelhante.

Esta tabela mostra que os dois efeitos possíveis acontecem: tanto o apoio declarado dos petistas a um determinado candidato aumenta as intenções de voto nele, como o apoio declarado dos tucanos reduz a intenção de votos. O resultado surpreende, já que estamos falando dos eleitores que declararam votar no Serra no segundo turno. A primeira vista, seria esperado que o apoio dos petistas aumentasse as intenções, mas não que o apoio dos tucanos as reduzisse. Uma hipótese forte aqui a ser testada é a de que estes indivíduos estariam mais ligados às personalidades dos políticos do que aos partidos aos quais estão associados. Mas isto fica para uma próxima vez.

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