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Hoje gostaria de sugerir a leitura de um artigo do Prof. André Lara Resende. O texto não é novo, muitos de vocês já devem ter lido, mas por conta de um primeiro semestre bastante cheio só consegui ler com calma esta tarde (e achei que valia a pena compartilhar com os que, por acaso, ainda não leram).

Lembro que no início da minha graduação me incomodava bastante a excessiva importância que parecia ser dada às taxas de crescimento do PIB como indicador de bom ou mau funcionamento da economia. Embora fosse óbvio o porquê das quedas de produto serem indesejáveis, não entendia com clareza por que crescer a taxas cada vez maiores era algo tão importante, perseguido e acompanhado pelas sociedades mundo afora (não estou me referindo à distribuição de renda, mas a olhar simplesmente para a produção total). Por que um país crescer 3% num ano, depois de ter crescido 3,5% no ano anterior (a famosa “desaceleração”), era tão preocupante? Este não deveria ser o movimento natural? Não haveria um limite natural para o crescimento a taxas crescentes?

Confesso que ainda hoje notícias como esta do Estadão – que alertam com preocupação que o PIB Chinês cresceu 7,6% no último trimestre ao invés de 8 ou 9 – me intrigam. Mas desde aquela época muita coisa ficou clara, muitas respostas me foram dadas. Percebi que crescimento de PIB de fato representa uma análise superficial e sobrevalorizada. Embora não concorde, entendi que as sociedades e economias modernas foram concebidas para buscarem incansavelmente o crescimento contínuo da produção e do consumo. As empresas e os administradores (públicos e privados) são avaliados de acordo com sua capacidade de expandir oferta e demanda, logo as sociedades também são avaliadas desta forma. Mas a pergunta que persiste na minha mente é: há um limite para este padrão de “desenvolvimento econômico” baseado no crescimento da oferta e da procura?

A resposta da maioria das pessoas para este questionamento provavelmente seria: “pode até haver um limite, mas num mundo com tanta miséria este limite ainda está longe de chegar”. Será? No artigo “Os Novos Limites do Possível” o Prof. Lara Resende questiona se este limite não está mais próximo do que se imagina. Baseado na obra de Paul Gilding (The Great Disruption) – que não li, mas já está na minha lista de leitura de verão – e ambientado na atual crise mundial, o Prof. Lara Resende levanta a possibilidade de que o limite físico do planeta elimine a capacidade da nossa sociedade continuar se desenvolvendo e superando crises via aumento de oferta e demanda. Embora nem ele nem Paul Gilding se comprometam com o timing em que de fato este limite vai se impor, ambos sugerem que o fim da sociedade baseada no crescimento do PIB pode estar mais próximo do que pensa a maioria.

Este é o link para o artigo do Prof. André Lara Resende.

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