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A Presidente Dilma mandou avisar: serão protegidos os empregos do setor privado e não os da administração pública. Os primeiros sofrem com os balanços na atividade econômica, uma vez que dependem de os empresários acreditarem no futuro de suas receitas. Sem lucros, sem empregos. Os segundos gozam de estabilidade garantida por lei, o que lhes confere maior tranquilidade em momentos tormentosos.

Assim, o gráfico abaixo nos mostra que de 2003 para cá, os servidores públicos, na média, obtiveram ganhos relativos substantivos. Ou seja, seus salários aumentaram mais do que os rendimentos dos ocupados no setor privado. Isso significa que, na média, os servidores públicos aumentaram o seu poder de compra sobre os bens da economia. (Vale a pena ler o artigo opinativo de Carlos Góes sobre a questão aqui).

É claro que uma medida agregada e indexada em algum ano-base comete alguma injustiça com diversas categorias que há anos não têm reajustes de salário. Não quero entrar aqui na disputa acadêmica quanto à necessidade ou não de ter funcionários públicos bem pagos. Quero apenas ressaltar que o momento é crítico em virtude da crise europeia que não dá mostras de que vai embora.

A resposta do Brasil à crise internacional é, portanto, o crescimento econômico sustentado em pilares de produtividade e eficiência, com qualidade distributiva. Por isso, é socialmente inoportuna a avalanche de greves dos servidores públicos, muito embora seja administrativamente adequada – uma vez que, nas próximas semanas, expira o prazo para a definição dos gastos públicos do ano que vem, motivo pelo qual as categorias concentraram no tempo suas demandas.

O que isso implica para o nosso crescimento a longo prazo? Gastos públicos maiores, sem a garantia de maior eficiência na gestão da coisa pública. Dada a exigência de equilíbrio fiscal, a tributação deve estar ajustada à elevação dos gastos, o que, na atual situação recessiva, significa reduzir gastos com investimentos. Com isso, menor produtividade e, portanto, menor crescimento (leia  aqui a coluna de Delfim Netto no Valor que relaciona os temas)

Por isso, o que veremos nos próximos momentos da conjuntura nacional é uma luta encarniçada pelos recursos orçamentários dos próximos anos entre o ambicioso projeto de investimentos em infraestrutura anunciado pelo governo e as demandas salariais do funcionalismo público (é interessante, apesar de politicamente desafiadora, a proposta de disciplinamento dos gastos com funcionalismo, como proposto por Felipe Salto).

Dilma parece decidida a priorizar os investimentos em ganhos de produtividade para o setor privado, “boxeando os entraves ao crescimento“. Porém, como disse uma vez o ex-presidente norte-americano J.F. Kennedy, a questão é saber se o governo vai concordar com a presidente (leia a reportagem especial sobre o dilema de Dilma na revista britânica The Economist).

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