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Começou ontem, dia 21/08, a propaganda no Horário Eleitoral Gratuito para os cargos de prefeito e vereador em todo o Brasil. E se a disputa em São Paulo se inicia dentro do esperado, com relação aos argumentos das campanhas dos principais candidatos, parte de um cenário inesperado em certo sentido.

A última pesquisa do IBOPE revela o candidato do PRB, Celso Russomano, empatado com o candidato tucano José Serra em primeiro lugar. O atual deputado federal venceria o ex-prefeito em um possível segundo turno. Apesar de já tratado em outro post que a terceira força seria decisiva em São Paulo, Russomano foi o candidato que melhor aproveitou o início da campanha política, vendo a intenção de voto em seu nome em cerca de 5%. Sua campanha deverá, portanto, focar na manutenção deste crescimento e se inicia apostando na construção de uma imagem de bastante apelo popular, com elevada proximidade com a população.

José Serra, por sua vez, terá de lidar com a elevada taxa de rejeição em torno de seu nome, cerca de 37% dos entrevistados, a maior constatada. Ao mesmo tempo, disputará um eleitorado conservador, órfão de Maluf na cidade, com o candidato do PRB. Ao mesmo tempo, disputa eleitores mais simpáticos ao centro-esquerda com Chalita e Haddad. Como lembrado por Josias de Souza, o crescimento de Russomano acende um sinal amarelo para Serra que deverá correr para evitar o mesmo destino de Alckmin em 2008. Sua campanha, assim, começa tentando trazer uma imagem de competência técnica aliada à sensibilidade de quem nasceu e fez sua vida em São Paulo.

Já o candidato apoiado pelo governo federal, Fernando Haddad, claramente aposta todas as suas fichas em seus padrinhos. No início do horário eleitoral, Lula aparece em boa parte do tempo classificando-o como o melhor “ministro da educação da história do Brasil”, discurso que serviu para eleger Dilma. Sua campanha ainda não decolou e seus 8% de intenção de votos preocupam os petistas. A tendência é de que este número cresça, mas este processo tem de se acelerar se não quiser ficar de fora do segundo turno da eleição paulistana.

E por fim, Gabriel Chalita, cujas intenções de voto se assemelham a de Haddad, aposta suas fichas no eleitor descontente com a disputa PT x PSDB e em seu perfil de professor. Apoiado por Michel Temer neste início do horário eleitoral, o candidato do PMDB busca mostrar ao eleitor que será capaz de fazer as intermediações com o governo estadual e federal que a disputa entre tucanos e petistas com parcerias que beneficiariam a cidade.

Agora, é acompanhar a evolução das estratégias. Russomano, um azarão, parte de um bom momento nas pesquisas. Apesar de azarão, outros, como Jânio Quadros e Luiza Erundina já venceram em condições similares. Serra deve lutar para reduzir sua rejeição e não perder votos do eleitorado mais ligado à direita, que tem visto em Russomano uma alternativa. Não podemos nos esquecer que, enquanto este segmento do eleitorado paulistano teve uma opção, o PSDB nunca elegeu o prefeito da cidade. O surgimento de um candidato assim é uma ameaça real ao candidato tucano. Já Haddad dependerá diretamente da capacidade em repetir o sucesso da campanha para presidente. Até o momento, isto não surtiu efeito e o tempo agora é bastante curto. Chalita, correndo por fora, tentará reforçar sua imagem como a 3a via dentro do debate entre petistas e tucanos. É esperar para ver. O tempo é curto, mas quase metade do eleitorado ainda não decidiu seu voto. Há muito o que ser feito.

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