Tags

, , , , , , , , ,

A campanha eleitoral para a escolha dos prefeitos chega a sua reta final. A menos de 15 dias para a decisão de quem serão os governantes das cidades brasileiras, a disputa em São Paulo toma ares dramáticos: na última pesquisa do Ibope, a disputa em torno do segundo lugar se mostra mais acirrada do que nunca. Já praticamente consolidado na disputa no segundo turno, Russomanno aguarda Serra ou Haddad em um cenário impensável no início deste ano, como já foi discutido aqui. Neste contexto, um aspecto que não se pode negligenciar é o significado da derrota ainda no primeiro turno de um dos dois maiores partidos do Brasil em sua maior cidade para um partido pequeno, como o PRB.

Do lado petista, uma suposta derrota de Haddad ainda no primeiro turno parece significar mais do que apenas uma arriscada tentativa de renovação dos quadros partidários que não deu certo. A candidatura de Haddad está com dificuldades para superar o candidato tucano, mesmo com os elevados índices de rejeição apresentados por este (segundo a última pesquisa do Ibope, atingiu 40% do eleitorado paulistano). Ainda mais sensível é o fato de que as pesquisas indicam que Haddad tem perdido votos nas regiões periféricas da cidade. Estes locais foram aqueles que votaram pesadamente em favor de Marta Suplicy em 2008 e agora não o acompanham, parecendo pender mais para Celso Russomanno. Se por um lado, esta derrota pode fortalecer o grupo de Marta Suplicy em São Paulo, o que parece não ter sido a intenção de Lula ao preterir seu nome como candidata, também sugere uma certa resistência à transferência daquele voto para o atual candidato petista. Seja como for, Haddad ainda está longe da histórica marca dos 30% de votos em São Paulo, o que não é um bom sinal para um partido que ainda se mostra protagonista no cenário nacional. Ademais, esta derrota ressaltaria a dificuldades que o PT ainda encontra em vencer as eleições municipais de São Paulo, apesar de no período recente constituir-se num dos pólos da disputa política da cidade.

Já do lado tucano, uma eventual derrota de Serra no primeiro turno tem algumas consequências importantes. A primeira decorre da necessidade de rearranjo interno do partido em São Paulo. Após as prévias, momento em que Serra demorou a decidir-se sair candidato e frustrou muitos de seus correligionários com este procedimento, a indicação de “apenas” 52% dos militantes do partido sugere algum espaço para a consolidação de novas lideranças no estado. Serra declaradamente esperava número superior a este. Ademais, vai-se abrir a discussão sobre a qual cargo Serra concorrerá em 2014. Se Aécio Neves é o nome mais cotado, apesar de seu desempenho no Senado não ser o esperado, Geraldo Alckmin cogita a possibilidade de concorrer novamente à presidência. A Serra, em razão de sua idade, parece não haver uma segunda oportunidade de buscar ocupar o palácio do planalto. Porém, um resultado desfavorável em São Paulo pode significar um enfraquecimento de seu nome. A disposição de Serra em aceitar concorrer ao governo paulista ou a uma cadeira no Senado será a chance do PSDB não se dividir ainda mais em razão da insistência do atual candidato em se tornar presidente da República. Provavelmente, ao concorrer a outro cargo, Serra definitivamente abriria mão de se tornar presidente e sua decisão será bastante relevante para os passos seguintes do próprio partido.

Uma derrota no segundo turno de qualquer um destes dois candidatos, ainda mais se por uma margem não tão larga de votos, ameniza razoavelmente os quadros apontados em razão de mostrar a competitividade dos nomes escolhidos a despeito do desempenho não esperado no primeiro turno. Seja como for, parece que Russomanno já deve se preparar para enfrentar uma pressão muito grande em um segundo turno contra um dos dois maiores partidos do país.

Anúncios