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Encerrada a votação em primeiro turno neste domingo, a pergunta que surge na cidade de São Paulo é: quem receberá os votos de Celso Russomanno? Cerca de 1,3 milhão de eleitores que escolheram o azarão, que não teve forças para transformar seu primeiro lugar nas pesquisas em votos capazes de leva-lo para o segundo turno, serão fundamentais para as pretensões tucanas e petistas de ocuparem a prefeitura de São Paulo. Várias especulações surgirão e, do ponto de vista teórico, há pelo menos duas grandes motivações para se pensar a decisão do eleitor.

A primeira é ideológica. Como já apontado aqui em post anterior, o eleitorado da cidade de São Paulo pode ser entendido como polarizado entre PT e a direita malufista. Esta é apenas a segunda vez que PT e PSDB competem no segundo turno pela prefeitura de São Paulo. Há uma teoria, denominada Teorema do Eleitor Mediano, que nos ajuda a tratar esta situação. Esta teoria assume que os indivíduos são ordenados em um único eixo ideologicamente ordenado cujos extremos vão da “extrema esquerda” à “extrema direita”. Cada eleitor escolherá o candidato que estiver mais próximo de sua posição política ideal. Assim, em uma disputa com dois candidatos, vence aquele que alcançar o eleitor mediano, pois terá alcançado 50% dos votos. Se assumirmos que as propostas de Haddad o colocam mais a esquerda que Serra, que por sua vez está mais a esquerda que Russomanno, os votos deste último tendem a migrar para Serra, pois as propostas deste estariam mais próximas da posição original dos eleitores de Russomanno. 

Por outro lado, no Brasil recente, surge interpretações de que as motivações dos eleitores são econômicas. Similar à teoria “It’s the economy, stupid!” que mostra que as eleições presidenciais americanas podem ser explicadas pelo desempenho econômico meses anteriores da eleição, no Brasil, esse papel se torna mais explícito na eleição presidencial de 2006, quando eleitores de mais baixa renda votam em Lula em peso. No cenário paulistano, o voto da periferia da cidade, de mais baixa renda, é tradicionalmente um voto petista, como pode ser visto neste mapa. Também se sabe que boa parte do eleitorado de Russomanno reside nestas regiões da cidade. Neste contexto, Haddad estaria em vantagem e tenderia a ser o herdeiro destes votos.

O ponto é que ambos aspectos, o ideológico e o econômico, estão presentes simultaneamente. Precisaríamos, então, pensar em um diagrama com dois eixos: um ideológico e outro econômico. Se aqui se esgotarem as motivações do eleitor paulistano, podemos imaginar que o eleitor tucano está nas mais altas faixas de renda e se posiciona mais à direita no espectro ideológico. Por outro lado, o eleitor de Haddad está nas faixas mais baixas de renda e se coloca mais à esquerda ideologicamente. Assim, considerando que Serra e Haddad obtiveram basicamente o mesmo número de votos no primeiro turno (a pequena diferença foi de quase 110 mil votos, cerca de 2%) o vencedor desta eleição será determinado pela diferença entre o número de eleitores de mais alta renda que votarem no petista com o número de eleitores de mais baixa renda que votarem no candidato tucano. Em 3 semanas, saberemos.

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