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Terminadas as eleições municipais de 2012, uma séria de balanços se apresentarão das mais diversas ordens. Este blog não se furtará também de passar algumas observações a respeito deste tema. Neste primeiro post, o tema será o desempenho dos partidos de oposição, notadamente PSDB e DEM.

Na noite de ontem, o Senador paranaense eleito pelo PSDB, Álvaro Dias, concedeu uma série de entrevistas. Em uma delas, concedida à Rádio Bandeirantes, o senador afirma basicamente duas estratégias a serem seguidas pela oposição, em particular por seu partido: a primeira é a de que é preciso ser mais contundente nas críticas feitas à situação, em razão do número menor de atores que a oposição possui frente à ampla base da situação. A segunda é que a oposição deve carregar a bandeira da reforma do sistema político vigente, pois este, segundo o Senador, “produz mensalões”. Este cenário é tão importante que parte da oposição se vê estagnada no nível local em razão de envolvimentos com este contexto produtor de casos de corrupção. O primeiro ponto apresentado, me parece bastante adequado. Afinal, de fato, a oposição após 10 anos seguidos de governo petista no plano nacional tende a ter número reduzido de atores relevantes. Assim, a adoção de uma bandeira clara, que motive os eleitores é fundamental. A questão reside exatamente na escolha do argumento de que o sistema político é “gerador de mensalões”. Há duas razões básicas para isso.

A primeira é quanto ao impacto deste bandeira sobre o eleitorado. Aceite a visão apresentada por Elio Gaspari: grosseiramente, o eleitorado brasileiro se divide em três partes. Uma que rejeita o PT absolutamente. Esse eleitor é anti-petista e tem votado na oposição sistematicamente. O segundo grupo, ao contrário, continua a seguir o partido da estrela vermelha, mesmo após todos os escândalos. O terceiro é volátil e oscila ora em prol do PT, ora contrário a este, seja por não se identificar com nenhum dos outros grupos, seja por que questões circunstanciais. Se isto é verdadeiro, a adoção de um discurso de combate a corrupção, muito embora este problema seja real, parece que vai colar muito bem no terço que hoje já vota na oposição. Não só pelo resultado dessa eleição, na qual o PT aumentou o número de prefeitos eleitos, quer evidência maior de que este discurso não parece o melhor se o Lula, no auge do escândalo, se reelegeu presidente?

A segunda é a de que o PSDB ocupou o governo federal e não se sabe ao certo se o eleitor não pode também responsabiliza-lo por este cenário. Afinal, a rigor, teria tido condições de alterar as leis que sustentam este cenário. Além disto, cabe perguntar de que maneira os tucanos conseguirão se apoiar no discurso do combate a corrupção se o próprio partido foi aqueles com o maior número de políticos impedidos de concorrerem nestas eleições, além do próprio mensalão mineiro. Este, embora possa ser visto como menor do que o escândalo que envolve o PT, não contribuirá com a bandeira da idoneidade. Ademais, o argumento também está calcado na ideia de que são as formações das coligações e a consequente concessão de ministérios aos partidos aliados foi praticado pelo PSDB que formou alianças bastante contestáveis, como entre Fernando Henrique e Antonio Carlos Magalhães.

Assim, é fundamental que a oposição, notadamente o PSDB, dado que o DEM me parece muito mais enfraquecido neste momento, reorganize-se de forma a ter um discurso que atinja número maior de eleitores. Nisto, o Senador Álvaro Dias está correto. Porém, a “produção de mensalões” não parece ser o argumento que vai ajudar o partido. Como disse Fernando Henrique, o PSDB realmente precisa de renovação. E não só de quadros, mas de discurso.

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