Antes de mais nada, gostaria de dizer que é um prazer voltar a escrever para O Barômetro, depois de um período de afastamento por motivos médicos.

Conversando com os meus colegas sobre o post de hoje, disse que estava pensando em fazer um balanço sobre os últimos acontecimentos e alguns possíveis desfechos para essas situações internacionais quando fui surpreendida pela morte do presidente da Venezuela, o que fez com que esse post ficasse para uma próxima oportunidade e que ficasse claro que, nas relações internacionais, um fato pode mudar muita coisa.

A principal pergunta que surge após o falecimento de uma figura como Hugo Chávez, que reúne todas as características do tradicional caudilho latino-americano, é o que está por vir naquele país depois da morte do líder venezuelano?

Além do aspecto interno, também são levantadas perguntas sobre a região sul-americana após tal fato e como a morte de Chávez afeta as relações do Brasil com a Venezuela que, desde o governo Fernando Henrique, diga-se de passagem, sempre foram bastante próximas. Tentarei, aqui, humildemente, responder a essas perguntas, de uma forma bem simples e direta.

Após a morte de seu líder carismático, não acredito, ao contrário do que muitos pensam à primeira vista que haja uma queda imediata do chavismo, entretanto esse foi bastante enfraquecido, já que não conta com nenhum outro líder que possua a aderência e a simpatia da população como Chávez, como era de se esperar, pois um caudilho não permite que outra liderança possua muita popularidade.

Internamente, deve-se seguir o que manda a constituição, ou seja, o vice deve assumir e serão convocadas novas eleições que, como mostram as pesquisas iniciais elegerão o candidato chavista, a não ser que a oposição consiga organizar um discurso capaz de angariar a simpatia dos órfãos de Chávez.

Regionalmente, o chavismo perderá força e acredito que os países tendam a se assemelhar mais à esquerda moderada de Brasil e Chile, pois os outros países que eram próximos ao chavismo não tem líderes com a mesma força que Chávez para substituí-lo. Também no plano regional, não deve-se esperar muitas alterações no Mercosul, já que o bloco está, há muito tempo, paralisado e o foco tem sido, principalmente, em questões políticas e sociais, mais que econômicas.

No plano bilateral, o relacionamento político terá continuidade sem grandes alterações, o que não deve modificar as nossas relações comerciais e os investimentos de nossas empresas continuarão tendo que levar em conta, como antes de sua morte, a incerteza que, agora, apenas aumenta. Talvez essa seja oportunidade para que quem assuma possa tirar essa imagem que se tem da Venezuela no exterior, devido ao seu líder que morreu ontem.

A morte de Chávez, portanto, não irá alterar de imediato o status quo na Venezuela e, principalmente, na região. Entretanto, se trata de uma mera análise que, talvez, seja desmentida no futuro, conforme muitas vezes já ocorreu na história, até porque os internacionalistas não são tarólogos ou afins.

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