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Na semana passada, o prefeito de São Paulo anunciou a pretensão de expandir a área na qual vale o rodízio de veículos na cidade. Desde a campanha para sua eleição, a política de transporte tem sido bastante discutida e, após a eleição, também tem sido um claro alvo de ação da prefeitura. Durante esse período, as manifestações de junho provocaram uma mudança nesta política, já que seu alvo inicial voltava-se diretamente para as políticas de transporte. O planejamento inicial de faixas de ônibus, estimado em 150 km para os quatro anos de mandato, passaram a 300 km ao final do primeiro ano. Agora, a previsão é a de que essas faixas sejam substituídas por corredores de ônibus, mudança mais cara e de impacto maior sobre a mobilidade urbana. Dúvidas suscitadas por estas ações todas tem girado em torno das velocidade de resposta da prefeitura e à adequação técnica das medidas tomadas. O que está em jogo ali?

A prefeitura decidiu atender às manifestações de junho pelo aumento das passagens, não da forma que o Movimento Passe Livre pedia, mas não só revogou o aumento, os famosos R$ 0,20, como atuou diretamente em favor do transporte coletivo com a proposição das faixas de ônibus. Me parece que a disputa aqui se dá em torno da adequação técnica em se atender a uma demanda da população, dilema que um administração público enfrente diversas vezes. Para buscar atender uma solicitação da população, o poder público se apressa em implementar uma política determinada. Ainda que o prefeito diga que não busca a reeleição, o que pode ser verdadeiro, sua administração influenciará diretamente seu futuro como político e não se pode dizer que ao atender as demandas populares por ações mais drásticas não se esteja lidando com sua imagem, sua popularidade. Assim, a agilidade da prefeitura em criar as faixas de ônibus, se atua positivamente na imagem do próprio prefeito, deixa essa dúvida quanto a adequação técnica das medidas.

Porém, não se questiona aqui a capacidade técnica da prefeitura nesta área; ao contrário, se esta não fosse elevada como é, a cidade já teria parado há muito. Mas entre os episódios de junho e a criação das faixas não me parece que tenha havido tempo para um estudo muito detalhado sobre o impacto dessas faixas em São Paulo. Algumas situações tem parecido criar muito transtorno também para os passageiros dos ônibus, ainda que na média, a velocidade dos ônibus tenha subido. De qualquer forma, apesar das controversas em torno da adoção das faixas, não só a maioria esmagadora da população aprova a concepção, como uma parte da população tem admitido que o prefeito teve coragem para lidar com um problema crônico da cidade de São Paulo. Esta é uma condição necessária, mas certamente não suficiente para que uma gestão tente atacar as péssimas condições de mobilidade urbana em São Paulo. Todos nós dependemos das avaliações técnicas que envolvem essas ações. Esperamos que essas medidas estejam caminhando para o sentido correto.

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