Tags

, , , , , ,

Ontem, tive contato com um vídeo no qual Eduardo Giannetti responde sobre desigualdade. O link está aqui. Deve-se notar a clareza com que o economista aponta o problema da desigualdade no Brasil para as condições iniciais que são, a despeito de sua relação com a desigualdade de renda, problemas sérios que o país precisa resolver. Como discutido no post anterior, esta atribuição às condições iniciais é um posicionamento ideológico, denominado liberalismo. Entretanto, liberal que é, apesar de tratar de um problema sério, Giannetti não se preocuparia em responder como esta situação tão desigual foi atingida. Isto é importante destacar também.

Do ponto de vista liberal, a sociedade é igual ao somatório dos indivíduos que a compõem. Não há nada que seja maior do que eles. Se há uma característica que possa ser atribuída à sociedade, ela está presente nos indivíduos individualmente. Assim, se uma sociedade é racista é porque seus indivíduos são racistas. Não se pode atribuir a uma dinâmica coletiva a formação de um todo racista, se os indivíduos não forem eles mesmos racistas. Além disto, interpreta-se que os indivíduos sejam livres em suas disposições para agir socialmente e, assim, as diferenças que se observam nas riquezas dos indivíduos, por exemplo, estão vinculadas às escolhas que as pessoas fizeram ao longo de suas vidas.

Estas ideias são bastante poderosas, são capazes de prover explicações razoáveis a vários problemas relevantes, mas, como toda ideia, possui alguns contratempos. Estes contratempos são apontados pela Economia Institucional, e retomam uma discussão feita em três ou quatro posts atrás. Não se consegue, por exemplo, explicar porque certo arranjo social surge e não outro. Por exemplo, assuma que a desigualdade de renda no Brasil tenha a ver com preconceito racial. Para um liberal, é difícil explicar como isso surge ou como acaba. Tudo se coloca nas vontades particulares dos indivíduos. Se o racismo no país tem raízes na forma de colonização baseada no trabalho escravo, perde-se totalmente a dimensão histórica do contexto atual, parecendo que é uma questão de vontade, de disposição pessoal para atacar o problema e resolve-lo. É evidente que se perguntado, um liberal não dirá que é uma questão de vontade, apenas, mas não terá boas sugestões para a solução do problema.

É neste sentido que há uma grande dificuldade em se atacar a desigualdade, pois não há boas maneiras de explica-la.  A despeito da gravidade do problema no Brasil e de eventuais disputas sobre se é um problema apenas em relação às condições iniciais ou não, me parece ser necessário também discutir as razões em tornos das quais o cenário se construiu. Isso ajudaria tanto a buscar uma solução para o problema, como a evitar que se repita.

Anúncios