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Ontem, dia 11 de agosto de 2014, o Jornal Nacional deu início à série de entrevistas com os candidatos à Presidência da República. O primeiro “sabatinado” foi Aécio Neves, o candidato do PSDB.

Os âncoras do jornal foram aparentemente “duros” com o tucano, como reportou a Carta Maior. Eles insistiram em temas sensíveis como o reajuste das tarifas públicas, o “mensalão mineiro”, a questão recente da construção de um aeroporto nas imediações de uma fazenda de um tio do candidato, assim como o posicionamento do estado de Minas Gerais – do qual Aécio foi governador antes de se tornar Senador – no índice de desenvolvimento humano.

Ao final desse artigo, há o video com a entrevista na íntegra.

Gostaria de pontuar que a “dureza” dos âncoras não me convenceu. Não acredito nas propensões trabalhistas da Rede Globo. As questões feitas eram óbvias e necessárias, dado o relevo que as mesmas receberam da mídia local. E, sinceramente, acho que Aécio Neves tirou de letra. Explico-me.

Quando um entrevistador simplesmente questiona de formas vaga e insinuante, sem pressionar os pontos específicos que merecem atenção, a resposta é também vaga e pouco esclarecedora. Questões duras não são um problema, quando o candidato está preparado para elas. E Aécio estava claramente preparado para respondê-las. (Devo reiterar, a título de esclarecimento, que considero bastante improvável qualquer “armação” da parte do candidato tucano junto à emissora).

Daí a minha hipótese de que o que ocorreu ontem foi apenas um jogo de cena. Ao se arvorarem a rigorosos questionadores, os âncoras buscam dar a impressão de um campo nivelado de tratamento aos candidatos.

Assim, um tom “agressivo” – como se chegou a rotular as perguntas de ontem – a Dilma ou a Eduardo Campos ficaria diluído no princípio da igualdade de tratamento, evitando qualquer suspeita de parcialidade do JN nessas eleições de 2014.

Não me surpreende que o Jornal Nacional dedique muito mais tempo a notícias negativas de Dilma do que de Aécio e Alckmin, como noticiado em reportagem da Carta Capital. Afinal, ele é um noticiário de alcance nacional e Aécio e Alckmin estão associados a questões regionais, ainda que sejam ou tenham sido presidenciáveis.

Mesmo assim, fica a dúvida. Vamos observar o comportamento dos âncoras nas próximas entrevistas. Espero ter-me equivocado na leitura e que a Rede Globo realmente esteja buscando apenas informar o eleitor.

No entanto, há muita história sobre o papel político da mídia para simplesmente descartar essa hipótese. Que o eleitor saiba distinguir as reais propostas do mero jogo de cena televisivo. E que venham os debates!

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