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Na manhã desta terca-feira, 12 de agosto, o economista e colunista Ricardo Amorim publicou, em sua conta no Facebook, um comparativo simples do desempenho do Ibovespa nos mandatos de FHC, Lula e Dilma. Segundo Amorim:

“Desempenho do Ibovespa por mandatos presidenciais: FHC1: +56%, FHC2: +66%, Lula1: +295%, Lula2: +56%, Dilma: -18%. (Economatica)”

Ao ver os dados, podemos pensar inúmeras razões que expliquem o desempenho negativo do Ibovespa no mandato de Dilma, frente aos valores positivos observados nos mantados de FHC e Dilma. Aqui, segue uma explicação particular sobre uma das possíveis causas que explicam este fato.

No Brasil, os investimentos demoram cerca de 8 a 10 anos para maturar, segundo a literatura macroeconômica, e representam um dos motores do crescimento da economia brasileira. Dito isto, podemos pensar o que aconteceu com o total de investimentos em cada mandato, e ver se há relação com os dados citados para o Ibovespa. Vejamos:

–  No 1°FHC, a prioridade era estabilizar a economia. O crescimento ocorreu através da expansão de demanda e do estímulo aos investimentos: uma vez que a inflação estava controlada, era possível imaginar planos de financiamento, entre outros. O crescimento favoreceu também as empresas, que tiveram seu valor

– No 2°FHC, com a inflação controlada e a economia estabilizada, houve a preocupação de se criar condições de crescimento de maneira sustentável, ou seja, para o longo prazo. Assim sendo, os investimentos continuaram em alta, impulsionando o crescimento econômico e ajudando, também, a valorizar o capital das empresas no país. As empresas que já estavam investindo no período após a estabilização passaram a investir mais ainda, atendendo à demanda crescente e gerando mais receita.

– No 1°Lula, a equipe econômica aproveitou os bons ventos dos períodos anteriores, colhendo os frutos dos investimentos e da estabilização econômica da era FHC. Verificou-se, também, a ampliação dos programas sociais e reforçou-se o apelo ao aumento de demanda (sendo, deste ponto de vista, a demanda o principal motor do crescimento). As condições para criação de oferta via investimentos, no entanto, minguaram, em parte pelas incertezas quanto à condução econômica, em parte por conta das consecutivas crises econômicas externas.

– O 2°Lula foi marcado por uma grande constância frente ao primeiro mandato. As ações tomadas não foram transformadoras. Foi apenas a manutenção daquilo que já havia sido definido nos anos anteriores. O investimento também não foi devidamente estimulado. Já no final de 2010 falava-se sobre as dificuldades vindouras da economia por conta da insuficiência dos investimentos.

– Os resultados apurados no governo Dilma comprovam a teoria de que não é possível crescer sem um planejamento estratégico de longo prazo. Sem investimentos, as empresas perderam valor, e a economia parou num ponto onde o crescimento é baixo e pouco satisfatório.

 

Assim, a deficiência no total de investimentos parece explicar, parcialmente, o baixo crescimento do país, refletido no valor de mercado das empresas. Os investimentos feitos durante o 1ºFHC e 2ºFHC foram capazes de manter a capacidade e velocidade de crescimento econômico pelos 8 anos seguintes. À partir daí, o governo Dilma deveria, em tese, se beneficiar do investimento realizado durante os dois mandatos de Lula (e principalmente aqueles efetivados no primeiro mandato). Mas este investimento não foi feito da forma ideal. O que vivemos hoje, com baixíssimas taxas de crescimento, é o preço das políticas econômicas de curto prazo. E, como a inflação, está cada vez mais difícil de engoli-lo.

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