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Após a expressiva arrancada de Marina Silva nas pesquisas eleitorais das últimas semanas, as redes sociais estão repletas de ataques, diretos ou velados, à ex-petista. Entre as diversas manifestações, parcela significativa preocupa-se em desqualificar a candidata (que foi exposta como traidora, e comparada a Collor num rompante de falta de bom senso generalizada dos defensores petistas). Mais do que isso, muitos tem se manifestado à favor de Marina como forma de expressar reprovação ao Partido dos Trabalhadores (há quem diga que deixará de votar em Aécio Neves somente para ver Dilma e sua patota fora do governo federal). Sim, os ânimos estão exaltados!

Entretanto, Marina é apenas a ‘bola da vez’. Antes do trágico acidente que vitimou Eduardo Campos, os embates centralizavam-se nas oposições declaradas entre Dilma e Aécio. Eu, particularmente, cansei de ler acusações infundadas (dos dois lados) e participar como telespectadora de batalhas cujo resultado nunca apresentou um lado vencedor. Afinal, quem está correto? A resposta que me parece correta para esta pergunta, claramente, é: ninguém.

Assumindo que os agentes são racionais, e que suas escolhas levam em consideração apenas a maximização de bem-estar (seu ou daquilo que este crê ser o bem-estar social), defender um lado ou outro desta disputa não sinaliza falta de inteligência, desconhecimento da atual situação econômica, alienação política, ou qualquer outra qualificação que aí possa se dar. Tomar uma posição dentro da disputa eleitoral reflete apenas qual candidato reverte maiores benefícios para o eleitor em termos de benefícios futuros, e essa conclusão é completamente individual (e, porque não, subjetiva). A escolha por um ou outro candidato é apenas uma questão de utilidade! E não há certo ou errado!

Neste contexto, desqualificar adversários de maneira deselegante é baixo demais perto da grandeza que tem a democracia em nossa sociedade, e da escolha do agente frente a uma das principais premissas dos atuais modelos econômicos de decisão do consumidor, que é a otimização do bem-estar, individual ou social. E a forma de um candidato ganhar eleição é,assim, convencendo o eleitor de que suas propostas são melhores do que as de outros candidatos. Mais uma vez, é uma questão de escolha baseada na utilidade: candidatos com melhores propostas devem, no geral, gerar maior utilidade para uma parcela maior de eleitores. Senhores candidatos, percebam, planos de governo são, sim, estratégicos e fundamentais.

E, se for pra pensar em benefícios sociais, não há ambiente político melhor do que aquele onde a oposição sabe fazer barulho na sociedade em que atua. Quanto mais articulada e estruturada for a oposição, melhor será a gestão pública: haverá cobrança, fiscalização, reivindicação, maneiras de pensar diferentes, e estes elementos, aliados a outros aqui omitidos, só elevam a importância da democracia como a forma de organização política na qual todos opinam e participam igualmente das decisões.

Portanto, eleição é sinônimo de agregação, e não de divisão. É a hora dos diferentes se unirem para, ao escolherem pela maioria um candidato, organizarem-se para cobrá-lo de tudo aquilo que foi prometido. Dessa forma, o bem-estar social será otimizado, e a escolha social ultrapassará as barreiras político-partidárias e atingirá o objetivo fundamental da escolha econômica. Sendo assim, boas escolhas, e bom voto!

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