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A taxa de câmbio ontem subiu mais um pouco, mas caiu ao longo do dia e acelerou ao final do expediente de mercado.

Fonte: Banco Central do Brasil - Taxas de Câmbio

Fonte: Banco Central do Brasil – Taxas de Câmbio

Será o fim do Brasil, como quer fazer crer a indômita consultoria Empiricus? A candidata Dilma Roussef restaurou sua competitividade eleitoral nas pesquisas, após o baque no imediato cenário pós-morte de Eduardo Campos.

E isso deixa alguns grupos econômicos muito preocupados. Isso pode ser visto no gráfico abaixo, em que se nota que mercado de câmbio vem precificando os medos (justificáveis ou não) de uma cada vez mais possível reeleição de Dilma.

Fonte: Banco Central: Taxa de Câmbio - Fechamento PTAX  - Venda - Série entre 30/03/2014 e 29/09/2014.

Fonte: Banco Central: Taxa de Câmbio – Fechamento PTAX – Venda – Série entre 31/03/2014 e 29/09/2014.

Assim, a disparada do dólar de ontem do dólar tem a ver com o cenário eleitoral. Mas, como sempre, não é só isso.

Há duas grandes forças econômicas em movimento. Uma é interna e a outra, externa.

A externa tem a ver com a valorização do dólar perante todas as moedas. O gráfico abaixo mostra a cotação do dólar em Euros. E esse é um processo que já vem se estendendo há, pelo menos, três meses. Esse movimento faz, portanto, que o real se desvalorize também.

Taxa de câmbio Euros/Dólar - últimos 30 dias - 29/09/2014

Taxa de câmbio Euros/Dólar – últimos 30 dias – 29/09/2014

Em segundo lugar, uma parte importante dessa subida tem a ver com os indicadores de que a economia americana está retomando sua atividade econômica, o que faz o dólar valorizar por si só.

Além disso, com a retomada da economia, os agentes econômicos passem a antecipar a diminuição das injeções de liquidez que o Fed vem fazendo há alguns anos na economia (mais de  US$ 80 bilhões mensais). (A desaceleração da China e a queda de confiança na Europa, ainda que leve, também não ajudam a tornar o Brasil mais atrativo).

O mercado financeiro passa, então, a incorporar em seus cálculos as expectativas de elevação dos juros americanos. Se os títulos americanos se tornam mais atrativos, é esperado que uma parte dos recursos investidos em bolsa e em títulos brasileiros evada-se do país.

Isso faz a bolsa cair, a taxa de juros de mercado aumentar e, na tentativa de fugir do país, aumenta-se a demanda por dólares, aumentando o preços da moeda norte-americana em reais.

Variação do Índice Bovespa em 29/09/2014

Variação do Índice Bovespa em 29/09/2014

Esse movimento interno vem reforçar a primeira tendência (externa) de valorização da moeda norte-americana, como visto anteriormente.

Essa tendência pode refletir um aumento da incerteza na mente de empresários e agentes do mercado financeiro que desconfiam das medidas que o governo Dilma poderá tomar caso seja reeleito.

Dadas essas duas forças, é difícil saber em qual proporção esse “pulo” do câmbio tem a ver com as eleições. Principalmente, por que os dois processos ocorrem em paralelo. Eles podem ser independentes, ou conectados.

A minha impressão é de que os agentes econômicos politicamente engajados na mudança do governo, inclinados em direção à Marina ou ao Aécio, podem estar se aproveitando desse momento para exercer maior pressão política.

Isso é feito por meio da sinalização de que não confiam na atual presidente e passam a deslocar seus recursos entre ativos financeiros, de forma a se proteger das incertezas que os assombram.

Dois cenários se abrem para o futuro. O primeiro pode ser a incorporação dessa reação do mercado financeiro aos cálculos político-eleitorais do PT (como já se viu na campanha de 2002, com a Carta ao Povo Brasileiro, do então candidato Lula) e uma demonstração clara e pacificadora dos ânimos. O segundo pode descambar para o enfrentamento direto, o que que pode agudizar comportamentos especulativos e uma reação ainda mais defensiva por parte do governo.

Eleições em tempos de mudança social são sempre momentos de debate acalorado. É importante, mesmo assim, separar “surtos” localizados e internos dos efeitos colaterais oriundos dos movimentos maiores da economia mundial.

É na ponderação das forças que reside a moderação da análise.

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