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Duas coisas que eu gosto muito de fazer é: dar aula de finanças e de música. Infelizmente devido ao tempo escasso tive que deixar a músicar temporariamente. De qualquer forma, como professor de violino, tive algumas experiências importantes que eu gostaria de compatilhá-las.

Quando eu era professor de violino na Fundação Casa (antiga Febem) tive a oportunidade de aprender algumas coisas com os alunos. Uma delas é a diferença entre a impressão que temos antes de conhecer os internos (por meio da restrita cobertura da imprensa nacional) e a realidade que encontramos depois de conhecê-los.

Um dos meus alunos de violino era mais um daqueles que entraria para as estatísticas do crime, ou seja, quando saisse dali, provavelmente voltaria para o mesmo ambiente e cometeria os mesmos ou crimes piores. No entanto, no caminho dele apareceu uma oportunidade que fez sua trajetória mudar radicalmente.

Além das aulas de violino, ele fez um curso profissionalizante de informática. Após o término da medida sócio educativa, ele deveria voltar para sua casa. No entanto, ele pediu para uma das assistentes para ficar em São Paulo. Ele pediu que ela o ajudasse, pois caso contrário seria muito difícil sair da vida do crime no ambiente onde ele vivia.

Muitos amigos dele ficaram pelo meio do caminho, mas ele estava decidido a mudar sua trajetória. Porém, para isso, era preciso apenas uma oportunidade. A assistente resolveu dar a ele essa oportunidade. No incício não foi fácil. Ele teve que morar em um pequeno quarto aos fundos de um galpão. Além disso, precisava trabalhar para se manter, pois não tinha família em São Paulo.

De qualquer forma, ele não cedeu às dificuldades. Mesmo morando em um lugar distante e simples, ele resolveu dar continuidade aos estudos. A mesma assistente que o ajudou com a moradia também o recomendou para uma vaga de Office-boy em um banco. Lá foi o início de uma nova vida. Com o trabalho ele conseguiu pagar um colégio supletivo para finalizar os estudos e logo depois ingressou na Universidade no curso de Administração de Empresas que por meio de uma bolsa de estudos do Pró-uni permitiu que esse aluno finalizasse o curso.

O resultado final é que hoje esse rapaz conseguiu sair da vida do crime para uma vida melhor. Tudo isso foi possível devido à sua força de vontade e à oportunidade que ele teve de mudar seu caminho.

Eu pude ouvir pessoalmente o relato desse aluno, quando veio me agradecer pelas aulas de violino. Isso me deixou muito feliz e também me fez refletir que algumas pessoas carecem de oportunidades na vida. Esse rapaz é um exemplo de que unindo força de vontade com oportunidade e acesso à cultura podemos construir um futuro melhor para o país.

Porém, ele é apenas um exemplo de um tema que tem sido esquecido nessas eleições: o poder transformador e educativo da cultura. Ela é uma prática muito frutífera para a construção da cidadania. Como fazer para ampliar esse acesso a todos que carecem de oportunidade e deixa sua força de vontade adormecida?

Imagino que essa reflexão deva ocupar nossa atenção não apenas durante as eleições, mas sempre. Força de vontade é insuficiente quando faltam oportunidade e direção ao jovem. É papel da sociedade oferecer isso a todos.

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