Baquaqua

Mahommah Gardo Baquaqua, nascido na atual Benim, poderia passar despercebido, invisível como tantos outros africanos escravizados que, no bojo do Sistema Colonial, passaram pelas plantations brasileiras. No entanto, acabou fugindo a essa perversa tendência histórica.

Conforme reportagem divulgada na rede semana passada[1], a biografia “An interesting narrative. Biography of Mahommah G. Baquaqua”, lançada pelo próprio ex-escravo, no ano de 1854, em Detroit, no contexto da campanha abolicionista nos EUA, foi traduzida para o português, graças ao trabalho do professor pernambucano Bruno Véras. Assim, embora já estivesse disponível na versão original em inglês, a sua tradução para o português permitirá uma maior disseminação de sua história em terras brasileiras.

Fica já a sugestão aos leitores do blog a tomarem conhecimento da história de Baquaqua. Ele certamente é mais representativo do grupo de africanos escravizados em terras brasileiras do que a leitura costumeiramente disseminada de que os escravos desempenharam papel passivo e conformado, tanto no estabelecimento, quanto na superação do escravismo. Nesse sentido, a abolição não pode ter sido puramente resultado da luta de homens brancos ditos esclarecidos.

Tampouco o continente africano era um vazio de civilização; muito pelo contrário. Que a história contada da perspectiva de Baquaqua seja mais uma forma de ressaltar a importância da inclusão da História da África como conteúdo obrigatório nas grades curriculares das disciplinas de História, nos diversos níveis de ensino.

As origens do Brasil extrapolam (e muito) o continente europeu. Resgatar devidamente a história do continente africano é parte crucial da construção e da compreensão da complexidade de nossa identidade.

[1] Vide reportagem completa em: http://oglobo.globo.com/sociedade/historia/historiadores-traduzem-unica-autobiografia-escrita-por-ex-escravo-que-viveu-no-brasil-14671795.

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