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Com o capital político do governo encolhendo diariamente, as medidas econômicas perdem eficácia e a busca de um ajuste fiscal sumário se torna uma tarefa pouco factível.

O Ministro Joaquim Levy chamou de uma “travessia” o processo de ajuste que ora vivemos (assista a entrevista a Miriam leitão aqui).

Como economia é uma seara da ação humana, expectativas são elementos fundamentais para o desenrolar da atividade econômica.

Nesse sentido, vale a pena observar o Boletim Focus, pesquisa feita pelo Banco Central do Brasil para sondar a percepção dos agentes privados (bancos, consultorias e parte do setor empresarial etc.) sobre o futuro da economia.

Abaixo, a linha verde mostra a expectativa até o final do ano e a linha laranja indica o esperado para o ano de 2016.

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Captura de Tela 2015-07-28 às 07.45.57Há muitos motivos para termos essa estranha e incômoda combinação de inflação mais elevada e recessão da atividade. A despeito disso, é perceptível que o mercado precificou para esse ano o fardo duro do ajuste e já dá sinais de retomada para o ano que vem.

Para o próximo ano, queda da taxa de juros e uma depreciação adicional da taxa de câmbio podem dar um reforço na retomada do ritmo de produção (apesar de trazer um pouco mais de inflação no curto prazo), mas pouco podem garantir frente às incertezas que rondam tanto o cenário político nacional quanto o internacional, com o andar claudicante da economia chinesa (ver aqui).

Por enquanto, percebe-se que os agentes privados permitem substanciar a leitura do Ministro quanto a ser uma travessia esse período de dados contraditórios; ao que tudo indica, a conclusão será nesse ano. Esperamos apenas que não seja uma terceira margem do rio, como no famoso conto de Guimarães Rosa.

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