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Eis um desabafo. Não me levem a sério, se não quiserem, mas, pelo menos, incomodem-se com o que vai abaixo, por favor!

Depois de insinuar a necessidade de construir um shopping center para abrigar o crescente número de acólitos dos senhores deputados (são 25 assessores por integrante da casa), os representantes senatoriais (sim, em caixa baixa mesmo), em meio ao mais grave momento dos últimos 15 anos da nossa economia, vão andar de carro novo, estilo UBER.

Segundo a Folha de S.Paulo, os novos Nissan Sentra (ao custo básico de R$ 65.000 cada) vão desfilar nos arredores da Praça dos Três Poderes para o arrepio do bom uso dos recursos públicos. Os carros da frota são renovados a cada dois anos, em regime de locação, com um contrato ao preço módico de R$ 2,3 milhões por ano. Cumpre ressaltar que o contrato com a locadora já foi renovado pela 4a. vez sem pregão adicional. (Leia a reportagem aqui).

Senadores_trocam_de carro_se2015

Nada me indigna mais do que os “privilégios” dessa “nobreza do século XXI” que mantemos na “corte” brasileira em Brasília. Senadores, deputados, ministros do STF, ocupantes de cargos comissionados no Executivo, dentre outras categorias do Estado recebem muitos “penduricalhos” incompatíveis com a nossa realidade socioeconômica.

Nota: Renan Calheiros, presidente do Senado que conta com dois automóveis, alegou hoje no Valor ( leia aqui) que o governo precisa gerar mais eficiência no gasto público. Seria engraçado se a ironia não causticasse a mente pensante.

Não falta capitalismo no Brasil. O que falta é uma aparelho estatal decente com forte atuação de pesos e contrapesos dentre os poderes, com vistas à eficiência da gestão pública e foco no “cliente”, o cidadão.

Essa “democracia de compadrio” baseada em pilares cartoriais de um Estado feito para a sustentação da “cultura dos doutores da lei” vem esgarçando o tecido social brasileiro, ao impor as recorrentes dores dos ajustes da economia aos trabalhadores e aos pequenos e médios empresários nacionais.

Se alguém tem que arcar com os custos desse ajuste, não é quem produz, mas quem se ocupa dos amplos esquemas de intermediação secundária sem qualquer controle social direto, como é o caso do Congresso Nacional.

A nação brasileira tem nessa causa uma demanda clara que mobilize a população em torno da construção de uma militância unida, à margem de sectarismos tolos, com foco preciso e nítido.

Por que nos calamos frente a tamanhos e recorrentes descalabros?

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