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In is in; out is out: British didn’t understand it up to now.

Por Jésus de Lisboa Gomes

Os britânicos votaram pela saída da Comunidade Europeia, a mais importante inovação política ocorrida no mundo desde o fim da Segunda Guerra Mundial. Ainda não é definitivo, mas é um passo forte rumo à insensatez.

Em sua origem, França e Alemanha articularam a criação da comunidade como uma estratégia para interromper a ‘fábrica de guerras’ que era a Europa, com um conflito grave, em média, a cada cinquenta anos.

A Inglaterra deixa um bloco, ao qual ela jamais entrou completamente, e, cujos parceiros sempre a olharam com desconfianças. Para alemães e franceses a Inglaterra (mais do que a Grécia ou qualquer outro país em crise) sempre foi a grande ameaça à integridade da comunidade.

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Os ingleses desejam sair do bloco, deixando de arcar com as responsabilidades dos seus membros, e, ao mesmo tempo, pensam poder manter os benefícios. Em outras palavras, desejam deixar de contribuir com o orçamento da União Europeia (21% Alemanha, 16% França e 12,5% Inglaterra) e não respeitar a livre circulação de pessoas (que a Inglaterra, aliás, nunca respeitou adequadamente, bastando lembrar que ao embarcar de Paris para Londres, já em Paris, os Ingleses fazem o controle de entrada no país). Ainda assim, querem continuar integrado economicamente ao bloco, por meio de um acordo bilateral, mantendo a livre circulação de mercadorias.

Os Ingleses querem, enfim, manter a globalização do mercado e dar marcha-à-ré à globalização da sociedade. Duvido que alemães e franceses aceitarão esse oportunismo. E, assim, os conflitos voltarão a tencionar a região, somando-se aos muitos já existentes no mundo. Ainda não é o caos, mas é, certamente, um passo importante na direção dele.

A União Europeia é uma genial invenção política franco-germânica que colocou fim a ‘mortandade’ no velho continente. Os líderes políticos ingleses jamais entenderam isso, desde Margaret Thatcher.

O mundo vive uma crise de liderança, exceção feita à Alemanha e aos Estados Unidos. Isso inclui a Inglaterra, com a pálida atuação do burocrático David Cameron. Para fazer média com a ala mais radical do seu Partido Conservador, Cameron propôs o plebiscito, repassando a responsabilidade. Provavelmente, ele acreditava que o brexit não venceria. ‘Deu ruim’.

As reações já começaram no próprio Reino Unido, com a Escócia, favorável à União Europeia, anunciando que poderá convocar um referendum pela independência. A conta da saída será cara para todo o mundo.

Em um primeiro momento, a conta econômica, a ser paga pelos britânicos. Contudo, o mundo é um sistema integrado e interdependente cujos danos de um continente Europeu instável afetarão a todos. Por isso, em um segundo momento, o preço de uma Europa instável será pago por todos. Não é o fim. Mas, é, sim, o início da marcha da insensatez.

Jésus de Lisboa Gomes é Mestre em Administração de Empresas e Doutor em Ciências Sociais. É professor e membro do Conselho Universitário do Centro Universitário FECAP e do Conselho de Curadores da Fundação Escola de Comércio Álvares Penteado.

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