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A incerteza na seara política contaminou a agenda econômica ao longo de todo o primeiro semestre. PIB mergulhando, inflação resistente, desemprego se esforçando para alcançar o nível da taxa SELIC, bolsa titubeante e renda média tropeçando.

A crise política instalada em toda a sociedade parece dar sinais de esgotamento, com o aparentemente “arquivamento” da “questão Dilma”, por parte da imprensa e do mercado. A interinidade de Michel Temer parece acalmar os ânimos de quem deseja medidas mais assertivas imediatas e dá ao governo uma lua de mel extensa, à espera da resolução da questão do impeachment da presidente afastada Dilma Roussef.

Temer e sua equipe econômica gozam, por ora, de uma “caridade” e “boa vontade” do mercado impensáveis para o governo anterior. Este estado de coisas já se reflete em alguns indicadores.

Vejamos.

O Relatório Focus publicado há pouco pelo Banco Central mostra uma tendência de restauração da normalidade no mercado financeiro, em especial no que tange às expectativas de inflação e ao comportamento da taxa de juros básica da economia. (Você encontra mais detalhes sobre como ler este relatório aqui).

O Gráfico abaixo ilustra as expectativas de inflação para 2017, medida pelo IPCA-IBGE. Note como o pico das distribuições se desloca horizontalmente da direita para a esquerda entre final de janeiro (linha amarela) e final de julho (linha de cor vinho).

Captura de Tela 2016-08-01 às 09.08.11

Observe ainda como, ao final de janeiro, o mercado se distribuía em duas grandes concentrações (quase uma bimodal) em 5,1% e 6,3%, indicação de dissenso entre os analistas. Conforme a agenda política da crise se encaminhou na direção do impeachment, a divisão se amainou (linha vermelha) ao final de abril e, agora, parece ter sido fortemente reduzida, com a linha pontilhada sinalizando a formação de um novo consenso em torno de 5%-5,5% para o IPCA de 2017.

Expectativas de inflação mais baixa fazem os agentes esperarem uma SELIC também mais baixa. E aqui a incerteza gerada pela crise política mostra sua face mais demarcada. Observe, no gráfico abaixo, como a distribuição das expectativas de mercado para a SELIC em 12 meses (julho de 2017) passou de um padrão quase-ondulatório (beirando uma distribuição multimodal ao final de janeiro deste ano, na linha amarela) para uma linha pontilhada bem mais firme centrada em cerca de uma taxa anual de 11,5% em julho de 2017.

Captura de Tela 2016-08-01 às 09.06.48

 

A situação de semi-estagnação da Europa e os dados mais recentes dos EUA (revisão para baixo do crescimento do PIB para 2016) sinalizam que as taxas de juros internacionais permanecerão baixas, tornando o Brasil mais atraente aos dólares e euros à procura de valorização. Com isso, a taxa de câmbio tende a apreciar e ajudar no processo de desinflação dos preços, jogando aquela linha tracejada do gráfico acima ainda mais para a esquerda nos próximos meses.

Boa semana a todas e todos!

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