Segundo as diversas sondagens disponíveis, é possível dizer que as expectativas econômicas estão melhorando gradualmente no Brasil. De outra queda na economia prevista para 2016, deveremos passar para algum crescimento no próximo ano. As previsões oscilam, dependendo das considerações dos analistas.

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Em matéria na “Folha de S.Paulo”, assinada por Érica Fraga e Mariana Carneiro, esse debate foi contemplado. A matéria afirma que “o Brasil está deixando a crise para trás, mas indicadores sugerem que o ritmo da retomada será lento. Analistas do mercado financeiro preveem que a recessão deverá terminar neste segundo semestre, e o País poderá voltar a crescer em 2017” [1]. Por outros ângulos venho escrevendo sobre essa questão.

A economia brasileira vinha deslizando para baixo desde 2011 e já era possível notar que o governo federal tentava “esticar a situação anterior” a partir de 2012 com algumas medidas que hoje são tão criticadas, mas que foram apresentadas pelo empresariado (desonerações fiscais e a queda dos preços de energia elétrica, por exemplo). O efeito de histerese derivado da desindustrialização prematura já apontava para uma saída lenta, difícil e dolorosa da crise [2].

Desde o final de 2014, estava bem claro que a desindustrialização prematura dificultaria uma rápida recuperação brasileira em um contexto no qual o Fundo Monetário Internacional (FMI) chamaria, em 2015, de “um novo medíocre” em termos de expectativas de crescimento global. O economista Lawrence Summers, ex-secretário do Tesouro norte-americano e acadêmico de prestígio, vem defendendo a tese da “estagnação secular” e suas implicações derivadas da histerese na redução do crescimento global [3].

Câmbio e juros são dois preços fundamentais e voláteis em uma economia emergente. O crescimento do endividamento das firmas e famílias brasileiras a partir da conquista do grau de investimento, considerando-se as condições favoráveis de liquidez internacional e o boom das commodities, fez com que a euforia tomasse conta do Brasil por algum tempo.

Passada a euforia, tem sido difícil convencer os empresários a voltarem a investir no setor de bens transacionáveis não commodities enquanto o nosso regime macroeconômico cristalizar a sobrevalorização cambial crônica do real. Sem investimentos em setores industriais de maior intensidade tecnológica, dificilmente nos tornaremos desenvolvidos algum dia.

Notas

[1] http://www1.folha.uol.com.br/mercado/2016/08/1803803-retomada-da-economia-brasileira-deve-demorar-anos-indica-fgv.shtml

[2] http://cartamaior.com.br/?/Editoria/Economia/Desindustrializacao-histerese-e-o-complexo-debate-das-contas-publicas/7/35442

[3] https://www.washingtonpost.com/news/wonk/wp/2016/08/18/larry-summers-what-we-need-to-do-to-get-out-of-this-economic-malaise/?postshare=1061471538393761&tid=ss_tw

 

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