Recentes pesquisas de opinião revelam que houve uma deterioração da confiança dos brasileiros no futuro próximo. De acordo com o instituto Ipsos, 60% disseram que estão preocupados e 89% acreditam que o Brasil está no rumo errado. Essa pesquisa foi divulgada no dia 8 de dezembro, antes, portanto, de se tornar pública a delação do ex-diretor da Odebrecht.

O diretor do Ipsos, Danilo Cersosimo, afirmou que “a desaprovação aos políticos, de um modo geral, continua alta, bem como a desaprovação à figura do presidente Michel Temer e a sua gestão”. Um levantamento do Datafolha, realizado entre 7 e 8 de dezembro, mostrou que a percepção da população sobre a economia se deteriorou. O aumento do desemprego é esperado por 67% e 59% opinaram que irá diminuir o poder de compra.

confianca-ibre-fgv-dez-2016

Matéria da “Folha de S.Paulo”, de 5 de dezembro, assinada por Érica Fraga, informou que a renda média do brasileiro corre o risco de cair por mais um ano. Estimativas de crescimento para 2017 estão sendo reduzidas no Brasil. Há quem projete um crescimento de 0,3%, mas há ainda quem estime a ausência de crescimento.

Segundo ponderou a matéria, “a sensação negativa da crise atual para a população pode estar sendo mais intensa porque o recuo da renda foi acompanhado por um salto forte e rápido do desemprego”. Para o economista Marcelo Neri (FGV), escutado pela matéria, “o brasileiro está devolvendo parte dos ganhos de renda que teve nos anos anteriores à recessão”.

Do ponto de vista econômico, a confiança do empresário é a demanda por produtos e serviços e a confiança do trabalhador é o emprego. Afinal, de onde virá a rápida retomada do crescimento brasileiro? O gasto público enfrenta a perspectiva de contração e as exportações de bens, que são majoritariamente baseadas em commodities, não representam canais para essa retomada. Convém citar que os preços médios das commodities estão bem abaixo do patamar de junho de 2014, quando começou a recessão brasileira.

Em algum momento o crescimento virá, porém o resultado provavelmente não será popular, sustentável e tampouco redutor das nossas desigualdades históricas e estruturais. O caráter regressivo da tributação brasileira aponta para o fato de que os elos mais frágeis da sociedade estão pagando a maior parte da conta. O darwinismo social, que embasou concepções conservadoras na Primeira República (1889-1930), oligárquica e antissocial, não representa a via civilizada e progressista de convívio.

Anúncios