No final de 2016, o Brasil se deu efetivamente conta de que a rápida recuperação econômica prometida por alguns não se concretizaria. A persistente recessão, os incômodos do desemprego crescente e uma alta inflação de serviços conspiraram contra as expectativas otimistas de então. Tais fatos colocaram pressão sobre os agentes políticos, em um complexo contexto de incertezas da operação Lava Jato.

A “Carta de Conjuntura”, do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getúlio Vargas, traz, neste janeiro, instigantes reflexões de Luiz Guilherme Schymura. Segundo ponderou o economista, “as projeções de mercado para o crescimento em 2017 caíram de 1,4% em setembro para 0,6% em dezembro. Considerando-se que a trajetória do desemprego, que já atingiu 11,8% em outubro, é defasada em relação à atividade, criou-se uma situação em que os custos sociais e políticos da grande recessão tornaram-se quase insuportáveis”.

pmi-brasil-dez-2016

Há quem estime o desempenho da economia entre zero e 0,3% de crescimento para 2017. Nesse contexto, as pressões sociais sobre a política não costumam respeitar os ciclos econômicos. Para Schymura, “a política econômica não é decidida num compartimento técnico estanque, e dificilmente consegue ficar indiferente às urgências das demandas sociais e políticas”. Espera-se, portanto, que se tente antecipar e adotar medidas de estímulo à economia. Desburocratizar procedimentos, por exemplo, é uma medida saudável para a redução de custos de transação.

Medidas permanentes e temporárias fazem parte das opções dos formuladores de política econômica. Em tempos de recessão prolongada, medidas temporárias de estímulo não devem ser descartadas por conta de preferências ideológicas, que apenas focam em um longo prazo sempre incerto e não claramente definido.

Citando colegas, Schymura alerta para os riscos do falso dilema entre reformas estruturais e estímulos de curto prazo. De acordo com o economista, “o primeiro tipo de agenda é importante para reduzir gargalos, aumentar o potencial de crescimento da economia e melhorar a utilização dos recursos disponíveis. Já os estímulos de curto prazo suavizam os impactos dos ciclos econômicos e são importantes em situações de depressão econômica, quando o custo do desemprego se torna demasiado alto”. Períodos prolongados de recessão ou baixo crescimento reduzem a produtividade, sendo que recessões profundas aumentam o custo do ajuste fiscal e afetam o produto potencial.

 

Anúncios