Senhores e senhoras, hoje o texto é diferente. Vou começar a contar histórias como cheguei até aqui. Isto é, envolve desde a decisão de fazer vestibular para economia em 2002 até defesa do doutorado que deve ocorrer até o meio de 2017. Já encarando a nostalgia, sentimentalismo, arrependimento de quando chega na casa dos 30 anos. E compartilhar a sensação de subir o Everest, estar lá em cima vendo a paisagem, saber que tem que descer e não ter ideia do que fazer depois.

Ao mesmo tempo, utilizando experiência pessoal, vou tentar mostrar delimitação da área de economia, como é um curso de graduação, como se escreve uma monografia/artigo, por que fazer mestrado/doutorado entre outras.

Não se iludam que é uma trajetória linear de um nerdão em que tudo deu certo e que é especial. Esqueçam. A vida é muito mais imprevisível, cheia de altos e baixos, sortes e azares, crises de autoestima e surtos de arrogância, entre outros. Irei relatar na medida do possível.

A escolha pelo vestibular para economia.

Fiz o segundo grau em um colégio estadual próximo de casa. Eis o primeiro erro. Poderia ter tentado outra instituição de maior peso como, por exemplo, Colégio Estadual do Paraná ou Cefet com boas chances de ser aprovado. Isso me ajudaria a amadurecer mais rápido, ter melhor formação, estar exposto e preparado para o mundo cruel.

O colégio estadual era relativamente na média e fiquei dois anos estudando para o vestibular em que tinha como foco UFPR ou CEFET (e, mais tarde, UTFPR). Na cidade seriam as melhores opções na medida em que ofereciam cursos de maior qualidade, somado ao fato de não ter condições financeiras de pagar mensalidade de um particular ou mudar de cidade.

O curso que tinha como foco era engenharia. Sempre gostei de motos, equipamento pesado e construção civil. Na infância e adolescência, adorava desmontar brinquedos, eletrônicos e outros para depois remontar ou fazer algo diferente. Os meus pais não entendiam essa tamanha desconstrução. E me dava bem com números e equações. No entanto, existiam problemas para cursar engenharia: maior competição por vaga; exigia dedicação exclusiva; e tinha custos elevados.

 

Por que economia?

No primeiro vestibular, novinho e inexperiente, vi que engenharia era complicado e parti para segundo opção mais segura que foi economia. Me animei pela competição ser baixa e a nota de corte bem reduzida.

Na época, acompanhava na TV a crise cambial de 1999, metas de inflação, crise energética, eleição do Lula. Nesse ambiente, via Otaviano Canuto dado entrevista, Armínio Fraga comandando o Banco Central sempre falando na televisão, os jornalistas Paulo Henrique Amorim, Luiz Nassif, Ana Paula Padrão e outros. Essa efervescência me seduzia e parecia uma boa ideia. Então, me inscrevi no vestibular de 2002 em ciências econômicas noturno na UFPR.

O resultado é que passei e tive uma nota e fiquei em 11º no curso de economia. O meu diferencial estava em matemática, geografia e história em que tive quase 10, enquanto nas outras me mantive na média. Fiquei empolgado e me matriculei em 2003 com 17 anos recém completados.

No fim das contas, o curso de economia foi uma segunda opção e deveria ser um teste sobre minha capacidade de fazer uma boa nota para entrar em uma universidade pública respeitada. Não esperava passar do primeiro ano de curso.

Lembrem-se de que estamos falando de 2000 a 2002. Nessa época, quase ninguém tinha computador em casa, internet estava no tempo do bit lascado em que conexão era discada, os sites incompletos e arcaicos. Achar prova para simulado era obtida na fotocópia física. A informação não circulava como hoje.

Anúncios