Desde o final de semana, o Estado do Espírito Santo ganhou destaque negativo no noticiário nacional e internacional. O caos na sua segurança pública afetou o funcionamento de estabelecimentos comerciais e muitas escolas, públicas e privadas, estão ainda fechadas. Lojas foram saqueadas na região metropolitana e no interior, conforme mostrou o noticiário [1].

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Como estamos ainda no meio da crise, que tem repercussões nas angústias das pessoas, não irei discutir o mérito do movimento dos policiais militares capixabas. Buscar diálogo para melhorar as condições de trabalho é parte da democracia. No entanto, há responsabilidades quando um profissional assume determinados compromissos de carreira.

Em uma das principais colunas jornalísticas sobre política no Espírito Santo, a seguinte reflexão merece atenção: “talvez seja chegado o momento de se rediscutir até que ponto é válida e adequada uma defesa intransigente da austeridade fiscal e do Estado mínimo, na medida em que estes alimentam insatisfações de categorias do funcionalismo público – bomba-relógio que, cedo ou tarde, volta-se contra o governo e a população” [2].

A situação está se acalmando lentamente nesta terça por conta da chegada de apoio federal, mas ainda é bem cedo para analisarmos com maior distanciamento crítico o colapso ocorrido na segurança pública no Espírito Santo. Em seu livro “Estado de crise” (2014), o sociólogo Zygmunt Bauman diz que estamos sob o domínio das brumas da incerteza, na medida em que os cidadãos acreditam cada vez menos que os governos sejam capazes de cumprir suas promessas. Por outro lado, as colossais desigualdades sociais, históricas e estruturais, fazem que com a destreza da “mão invisível do mercado” perca a sua credibilidade.

Notas

[1] http://g1.globo.com/espirito-santo/bom-dia-es/videos/t/edicoes/v/arrastoes-onibus-queimados-e-lojas-arrombadas-marcam-fim-de-semana-sem-policiamento-no-es/5630184/

[2] http://beta.gazetaonline.com.br/opiniao/colunas/praca_oito/2017/02/missao-dada-mas-nao-cumprida-1014021679.html

 

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