Após a grande crise financeira de 1929, a década que se seguiu foi de preciosas lições para muitos estudiosos. De certa maneira, revivemos certos aspectos daqueles dilemas com o estouro da crise global de 2008, após a queda do Lehman Brothers. A resposta inicial conjunta de muitos países à crise foi no sentido de manter o nível da demanda agregada e evitar os efeitos adversos nos empregos e na produção.

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Pouco tempo depois, iniciou-se um processo de forte “marcação” dos agentes financeiros sobre o avanço das dívidas públicas dos países e vivenciamos, desde então, o mantra da austeridade fiscal. Estamos repetindo o debate econômico da década de 1930 e presenciando a emergência de extremistas e populismos. O desemprego elevado e persistente, a desesperança coletiva no futuro e as elevadas desigualdades conspiram contra a democracia.

Em relação à interpretação da Grande Depressão, na década de 1930, o economista ortodoxo Lionel Robbins romperia com a visão de Hayek, que havia adotado na crise, e o acusaria de interpretar equivocadamente o fenômeno. Mostrara-se enganosa a fórmula de que o mercado deveria, por si só, encontrar o seu nível a partir da depreciação de investimentos “equivocados”, contendo o consumo e elevando taxas de juros para estimular a poupança.

Para Robbins, aquela receita era “tão inapropriada quanto negar cobertores e estimulantes a um bêbado que caiu em um tanque gelado, com base em que seu problema original era superaquecimento”. Essa instigante discussão pode ser encontrada no livro “Keynes x Hayek”, de Nicholas Wapshott, editado pela Record.

O Brasil abraçou a austeridade fiscal, a partir de profundos cortes nos investimentos públicos, em decorrência da grave recessão iniciada em 2014. Nesse sentido, é bem preocupante o tom das reformas institucionais propostas porque ele reforça disfuncionais desigualdades sociais. Segundo a Oxfam, os seis homens mais ricos do Brasil concentram a mesma riqueza que toda a metade mais pobre da população do país.

No Brasil, renúncias e desonerações fiscais viraram margens de lucros e poupança na recessão, algo que gerou efeitos multiplicadores negativos na economia. A forte queda dos preços internacionais das commodities e a Lava Jato coincidem com o início da recessão brasileira, sendo que a sobrevalorização cambial crônica do real, inclusive nas perspectivas no horizonte, impede a forte retomada de setores comercializáveis.

 

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