Recentemente, o Fundo Monetário Internacional (FMI) revisou suas estimativas de desempenho da economia mundial. Consta no seu “World Economic Outlook”, tornado público no dia 18 de abril, que há uma recuperação cíclica em curso na economia mundial. As estimativas apontam para o crescimento global de 3,5% em 2017 e 3,6% em 2018. Entretanto, riscos diversos existem no horizonte.

Segundo apontou o FMI, com problemas estruturais persistentes, como o baixo desempenho da produtividade e alta desigualdade social de renda, as pressões por políticas voltadas para o “interior” estão aumentando nas economias avançadas. Essas pressões domésticas, por sua vez, representam ameaças potenciais a uma integração econômica global cooperativa.

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A inflação aumentou em muitos mercados emergentes e economias em desenvolvimento, devido ao aumento dos preços das commodities, sendo que em alguns casos ela já recuou por conta da dispersão do efeito do repasse das variações cambiais bruscas de moedas em 2015 e 2016. Para alguns desses países, há riscos associados à perspectiva de elevação da taxa básica de juros nos EUA e a decorrente necessidade de um aperto financeiro doméstico.

Escolhas políticas serão, portanto, cruciais na definição das perspectivas e na redução dos riscos. As prioridades para a gestão macroeconômica são cada vez mais diferenciadas, dada a diversidade de posições cíclicas e os efeitos de histerese sobre a estrutura produtiva dos países. Ações capazes de impulsionar o produto potencial são urgentes por conta do envelhecimento nas economias avançadas. Termos de troca menos favoráveis do que no passado recente e a necessidade de atenuar vulnerabilidades financeiras são pontos que merecem mais atenção nos países emergentes e em desenvolvimento, bem como o crescimento lento da produtividade total dos fatores.

O FMI afirma que salários não têm acompanhado a produtividade em muitos países nas últimas três décadas, algo que levou ao declínio relativo da participação do trabalho na renda nacional. Progresso técnico e integração comercial global respondem por esse processo. Tal fato revela que há a necessidade de se buscar modelos de crescimento mais inclusivos e sustentáveis. Nesse sentido, é bem preocupante o tom e a urgência das reformas institucionais propostas no Brasil, que se encontra imerso em uma grave crise política e cujas baixas perspectivas de crescimento foram estimadas em 0,2% em 2017 e 1,7% em 2018.

 

 

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