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No artigo anterior, apresentei a relação estatística entre o grau de abertura econômica e o tamanho do Estado, para uma gama ampla de países, segundo os estudos de Dani Rodrik. Agora, vamos discutir as explicações (hipóteses) que dão sentido a esta regularidade empírica. Começamos com a explicação de Mukand & Rodrik (2015) e depois apresentamos a tese de Alesina e Warcziarg (1998).

 

Modelo de Organização Política

Parece haver uma relação entre democracias liberais e democracias por voto que ajuda a entender esta relação entre “abertura e tamanho do Estado”. Em artigo do Elson aqui no Blog, ele descreve a importância da política industrial e a controvérsia que envolve o tema. Fazendo referência ao trabalho de Mukand & Rodrik (2015), o autor sintetiza:

a diferença de uma democracia liberal (Alemanha, França e EUA, por exemplo) em relação à democracia por voto (países emergentes, por exemplo). A democracia liberal é fundamentada em instituições democrática que implicam direitos civis mais bem definidos, maior participação popular, regras e obrigações mais claras, melhor genrenciamento do conflito de interesses. Já na democracia por voto existem eleições, mas a forma de funcionamento da estrutura de estado não é necessariamente democrática, enfatizando a influencia das elites e da maioria política, tendendo a ser mais tolerante ao aparelhmaento do estado.

 

Tamanho do País e Homogeneidade Étnico-Cultural

Alesina e Warcziarg (1998) oferecem uma explicação diferente, complementar à de Rodrik. Para os autores a conexão que Rodrik encontra é explicada pelo tamanho do país e o grau de homogeneidade cultural de sua sociedade. Dizem os autores:

A dimensão de um país resulta de um trade-off entre as economias de escala no fornecimento de bens públicos em grandes países e os custos de heterogeneidade cultural e étnica, que podem ser maiores conforme aumenta o tamanho dos países. Esse resultado depende criticamente do pressuposto de que, quando você pode compartilhar os custos de bens públicos parcialmente ou totalmente não-rivais sobre populações maiores, o gasto per capita nesses bens é menor.

Em termos mais simples, países maiores conseguem reduzir os gastos dos bens públicos oferecidos, por conta da população maior, que compartilha o custo de oferecimento destes bens. Por outro lado, países com maior heterogeneidade cultural tendem a gastar mais com bens públicos. Daí a existência de um trade-off apontada pelos autores.

Finalmente, os autores adicionam:

Na medida em que o tamanho do mercado influencia a produtividade, os países grandes podem ‘dar-se o luxo’ de serem fechados, enquanto os pequenos países enfrentam incentivos mais fortes para permanecerem abertos; alternativamente, à medida que o comércio se liberaliza, as minorias regionais e culturais podem “se dar ao luxo” de se dividir porque as fronteiras políticas não identificam a dimensão do mercado; Portanto, os países menores podem desfrutar dos benefícios da homogeneidade cultural sem sofrer os custos associados aos pequenos mercados. Esta hipótese aponta para uma relação negativa entre a dimensão do país e o grau de abertura comercial.

 

Fica a reflexão

Como se vê a partir destas notas apressadas, não é trivial explicar as diferenças entre os graus de desenvolvimento econômico entre as nações, bem como o papel do Estado neste processo.

As reflexões acima nos ajudam a visualizar mais claramente a complexidade da economia em sua interação com a história institucional e política das sociedades. Os resultados destes estudos desaconselham o alinhamento acrítico a afirmações simplórias e extremadas que defendem a primazia excludente de apenas um dos agentes econômicos ou grupos sociais, seja a dominância do Estado, seja aquela do mercado.

Como sempre, há mais valor nas análises ponderadas do que nas simplificações atrozes que, apesar de acalmarem a sede do conhecimento, interditam o debate entre diferentes perspectivas teóricas e visões de mundo.

Boa leitura!

 

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