Não restam dúvidas de que o processo de desenvolvimento econômico é aplicável a situações de industrialização. De acordo com pesquisas (cf. Bairoch), diferenças de renda média entre países eram bem baixas antes da primeira revolução industrial (a partir da segunda metade do século XVIII): de um para menos de dois. Após processos diferenciados de industrialização, diferenças de renda média e de produtividade se mostraram claras.

O livro “A quarta revolução industrial”, de Klaus Schwab, editado pela Edipro, em 2016, traz reflexões oportunas. Crescentes automações de atividades e usos da inteligência artificial desafiam os mais diversos campos da vida humana. Schwab, que é fundador do Fórum Econômico Mundial, aponta três dimensões da revolução em curso – velocidade (ritmo exponencial em um mundo multifacetado), amplitude e profundidade (mudanças profundas no “como” fazemos as coisas) e impacto sistêmico (transformações de relações de produção entre e dentro de países). Um mundo mais conectado traz oportunidades e riscos.

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Entre os riscos mapeados por Schwab, “os desafios criados pela quarta revolução industrial parecem concentrar-se principalmente no lado da oferta – no mundo do trabalho e da produção”. Os grandes beneficiários desta revolução são os provedores de capital intelectual ou físico, os inovadores e os acionistas. Cresceu a distância entre a riqueza daqueles que dependem do trabalho e aqueles que possuem capital nos últimos trinta anos. A desilusão entre tantos trabalhadores em relação ao fato de que terão grandes dificuldades de melhorar a vida de seus filhos é parte desse contexto.

Para Schwab, “a ruptura que a quarta revolução industrial causará aos atuais modelos políticos, econômicos e sociais exigirá que os atores capacitados reconheçam que eles são parte de um sistema de poderes distribuídos que requer formas mais colaborativas de interação para que possa prosperar”. Ainda que se possa considerar como “boa” a força deflacionária do progresso técnico, é preciso olhar para os efeitos distributivos, que tendem a favorecer o capital sobre o trabalho. Tal situação pode muito bem reduzir a demanda doméstica.

O debate sobre as reformas institucionais no Brasil deveria estar mais atento a este tipo de reflexão. Afinal, queremos nos tornar um país efetivamente mais desenvolvido e equitativo? De acordo com os levantamentos da consultoria Ipsos, para 90%, o Brasil está no caminho errado.

 

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