De acordo com a última pesquisa da consultoria Ipsos, a percepção de que o Brasil não está no caminho certo atingiu o maior nível já alcançado, superando o recorde anterior registrado durante os últimos meses do governo da ex-presidente Dilma Rousseff. Para 95%, o Brasil segue no rumo errado. Há outras dimensões da crise que pretendo explorar sucintamente.

“Não vemos nenhuma fagulha de esperança por parte da população quanto à melhora nos rumos do país. A avaliação da esmagadora maioria da população é fortemente negativa”, disse à “BBC Brasil” (29/6/2017) Danilo Cersosimo, diretor da Ipsos Public Affairs. “Desde o impeachment, o Brasil está paralisado. A propalada construção da agenda positiva, defendida por Temer e seus aliados, ainda não ocorreu. O clima é de desesperança generalizada e a percepção da população sobre essas lideranças mostra isso”, conclui.

Segundo apontam os recentes números compostos da Markit Economics, sobre o índice gerentes de compras (PMI, em inglês), a economia brasileira está estagnada. Em síntese, a crescente preocupação das empresas em relação a questões políticas, a instabilidades institucionais, a fragilidades da demanda e adversas condições de mercado resultou no menor nível de confiança desde março de 2016. O desemprego elevado persiste e a população se mostra bem desconfiada do pacote reformista proposto.

Markit Brasil 06.2017

Complexo e muito desigual, o Brasil possui um grande potencial. No entanto, o fim do ciclo de crescimento baseado em commodities, consumo e crédito demanda ajustamentos condizentes com o país melhor que um dia desejamos efetivamente ser. A desindustrialização precoce está afetando o fôlego da economia e suas possibilidades de desenvolvimento. Entre a especialização em atividades malthusianas (naturais e de retornos decrescentes) ou schumpeterianas (construídas socialmente e de retornos crescentes), há perceptíveis diferenças nas riquezas das nações. Nesse sentido, é preciso cuidado para que o Brasil não fique preso na armadilha da especialização em ser pobre. Retrocessos não devem ser aceitos passivamente.

Reformas institucionais devem ser feitas nos países de tempos em tempos para melhorar a vida das pessoas e propiciar efetivamente um novo ciclo de desenvolvimento. As necessárias discussões demandam aprofundamentos, debates plurais e tempo para maturar. Esse não vem sendo o caso no Brasil, infelizmente, pois desde junho de 2013 a crise se aprofundou.

 

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