Tendo acumulado passivos sociais e ambientais, o Estado do Espírito Santo precisa repensar os caminhos do seu desenvolvimento. A grave crise da segurança pública capixaba, que estourou em fevereiro, sinalizou para o fato de que devemos estar bem atentos para os problemas estruturais acumulados. Nesse sentido, diálogo, debate plural e responsabilidade social ganham um grande destaque na articulação de políticas públicas.

O documento construído pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) e o Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP), o “Atlas da Violência 2017”, mostrou que o Espírito Santo conseguiu reduzir sua taxa de homicídios entre 2005 e 2015, em 21,5%. Essa taxa, de 36,9 por 100 mil habitantes, ainda está acima da ruim média brasileira, que é de 28,9 por 100 mil habitantes. Esse dramático quadro é considerado como de guerra civil pelos especialistas no assunto. Portanto, não deveria causar espanto que a produtividade da economia não cresça nesse contexto de violência e que as instituições funcionem insatisfatoriamente (aqui).

16649138_1436190973071220_134976250342828065_n

Em 1952, o governador Jones dos Santos Neves, discursando em Colatina, lançou a advertência de que os galhos dos cafezais eram frágeis para sustentar nossos sonhos de progresso. Grandes projetos de industrialização foram relevantes para alavancar o segundo ciclo de desenvolvimento capixaba. O terceiro ciclo de desenvolvimento chegou nos anos 2000, a partir da diversificação dos serviços, porém ele coexistiu com uma base produtiva tomadora de preços. A queda dos preços globais das commodities, em meados de 2014, coincide com o início da recessão brasileira e expôs a fragilidade dessa estratégia de inserção externa.

Exportacoes_do_Espirito_Santo_(1997-2016)

Imagem1

O Espírito Santo empobreceu e as receitas dos seus municípios retrocederam ao patamar de 2010. Dificilmente se pode dizer, fora da publicidade oficial, que houve grandes avanços na qualidade dos serviços públicos prestados à população. Com carga tributária regressiva, elevada sonegação fiscal e renúncias fiscais que não têm transparência, a população mais vulnerável, os trabalhadores e muitos negócios sofreram bastante. Obras paradas somam um prejuízo de 1,6 bilhão nos governos municipais e estadual (aqui).

Nesse contexto, o equilíbrio nas contas públicas precisa conciliar esforços permanentes e razoáveis de equilíbrio na conta corrente, considerando-se a relevância social dos estabilizadores automáticos, com variações anticíclicas na conta de capital. Solilóquios apenas garantem aplausos fáceis para poucos, algo que não contribui para a democracia e o desenvolvimento sustentável capixaba.